Fausto Coutinho, assessor de comunicação, terá sido o primeiro: no passado dia 6 de julho, 19 dias depois do deflagrar do incêndio que matou pelo menos 64 pessoas em Pedrógão Grande, apresentou a carta de demissão a Joaquim Leitão, presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC). A seguir, terá sido a secretária do próprio responsável máximo do organismo a despedir-se. Avança o semanário Sol este sábado, vaticinando mesmo uma “vaga de saídas de trabalhadores”, novos nomes se lhes deverão juntar nos próximos tempos.

De acordo com o jornal, que cita fonte interna, o mal-estar na ANPC relativamente às chefias será grande. Segundo essa mesma fonte, anónima, os funcionários “têm vindo a questionar a competência do comando no combate aos incêndios no terreno e gestão da estrutura do pessoal” e apontam “inúmeras falhas e erros na condução dos trabalhos em Pedrógão”.

Na origem da saída de Fausto Coutinho estará o “bloqueio de informação” que lhe terá sido imposto relativamente à tragédia de Pedrógão Grande e também “incongruências nas decisões que foram tomadas durante o combate ao incêndio” — segundo o jornal, no dia 17 de junho, o 2.º Comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Leiria, Mário Cerol, terá sido chamado às 17h08 e só terá reagido, tomando as primeiras decisões relativamente ao combate ao fogo, mais de 60 minutos depois, às 18h12, já as chamas lavravam há mais de quatro horas.

Parte da animosidade no interior da ANPC — e também do pedido de demissão do assessor de comunicação — dever-se-á também, diz o Sol, à “substituição em massa dos quadros operacionais e administrativos da Proteção Civil em plena época de incêndios”.

Desde o início do ano já terão sido trocados onze administrativos e 13 operacionais. Entre eles está Luís Lopes, desde há quatro anos 2.º Comandante Distrital de Operações de Socorro de Leiria, licenciado em Proteção Civil, bombeiro há mais de duas décadas condecorado por Ministério da Administração Interna e ANPC, que foi substituído em fevereiro pelo já referido Mário Cerol, advogado, mandatário em 2009 da candidatura do PS à Câmara de Alcobaça, localidade onde foi comandante dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça.

Outra mudança a que o jornal dá realce: o responsável pela divisão de informática e de comunicações terá sido substituído no cargo por um técnico de recursos humanos.