Espanha

A ilha dos Faisões, o condomínio mais antigo do mundo, é seis meses francesa e seis meses espanhola

Localizada no rio Bidasoa, a ilha dos Faisões é o condomínio mais pequeno e mais antigo do mundo. Durante seis meses é administrada por Espanha, nos restantes seis por França.

A ilha dos Faisões está na fronteira entre Espanha e França

A ilha dos Faisões, que desde fevereiro de 2017 tem sido administrada por Espanha, passa esta terça-feira a ser território controlado por França. Confuso? Surpreendente? Talvez não. Esta ilha é o mais pequeno e o mais antigo condomínio do mundo, sendo administrada durante seis meses do ano por Espanha e nos restantes meses por França — e por condomínio, entenda-se o domínio de mais de uma nação sobre um território.

Segundo o jornal espanhol El Pais, foi precisamente na “Isla de los Faisanes” ou “Île des Faisans”, localizada no rio Bidasoa entre a cidade basca de Irún e a francesa Hendaya, que se assinou o Tratado de Paz dos Pirenéus, em 1659, que acabou com a Guerra dos Trinta Anos.

Aliás, um monumento a recordar este feito histórico é das poucas coisas que se pode encontrar nesta ilha não habitada com 215 metros de cumprimento e 38 metros de largura — nem sequer há faisões.

Foi precisamente nesta ilha que a infanta Maria Teresa da Áustria, filha do rei espanhol Felipe IV, foi entregue à corte francesa para casar com o rei Luís XIV — o matrimónio era uma das cláusulas do Tratado de Paz.

França, porém, sempre manteve o interesse pelo rio Bidasoa e pela sua respetiva ilha. Logo quando foi assinado o Tratado de Paz, Luís XIV tentou ficar com parte do rio, mas o rei espanhol não cedeu. Algo que acabou por acontecer com o Tratado de Bayona em 1856: França ficou com metade do rio e ficou definido o condomínio da ilha, explica Joan Capdevila, professor de Geografia na Universidade de Barcelona, ao El Pais.

A questão dos seis meses para cada país, contudo, só ocorreu mais tarde, no início do século XX, com o intuito de acabar com o contrabando e com as guerras entre pescadores franceses e espanhóis.

E se ao longo dos tempos, a ilha dos Faisões foi palco de várias entregas de príncipes e princesas das respetivas cortes, atualmente só pode ser vista de longe — ou das margens francesa e espanhola ou de uma embarcação que passe ao largo da ilha. Isto porque o território, além de não ser habitado, não pode ser visitado, independentemente de estar a ser controlado por Espanha ou por França.

Isso não impediu, contudo, vários membros da ETA de tentarem chegar até França através da ilha em 1974. Foram apanhados pela Guarda Civil espanhola e os confrontos levaram à morte de um agente e de um membro do grupo terrorista.

Desde então, nada de novo na ilha dos Faisões no que toca a transgressores. Nos dias que correm, as únicas pessoas autorizadas a lá entrar são elementos da marinha espanhola de São Sebastião e Bayona, responsáveis pelo controlo da ilha — e só lá vão de cinco em cinco dias — e funcionários das câmaras de Irún e Hendaya, que vão lá uma vez respetivamente, para tratar da limpeza e da jardinagem.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rporto@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)