As “mulas” do tráfico de droga entre o México e os Estados Unidos voam. Sim, leu bem: voam. Cada vez mais, os narcotraficantes mexicanos estão a dispensar seres humanos no tráfico via fronteira e optam em alternativa por utilizar drones. A quantidade de droga transportada pelas habituais “mulas” ou por um drone é praticamente a mesma, sendo estes últimos mais “discretos” a transpor a fronteira em direção aos Estados Unidos.

Contudo, nem sempre este “transpor” funciona como pretenderiam os traficantes. O jornal El País recorda a história de Jorge Edwin Rivera, norte-americano de 25 anos, que foi este mês detido pela polícia por traficar, via drone, quase cinco quilos de metanfetamina (esta quantidade poderia render até 46 mil dólares nos Estados Unidos) entre Tijuana, no México, e San Diego, na Califórnia. Quando se aperceberam da passagem do drone pela fronteira as autoridades resolveram segui-lo e acabariam por deter Rivera numa bomba de gasolina de San Diego. O mesmo confessaria depois que aquela era a sexta vez que o fazia desde março. Rivera não é narcotraficante mas somente o “piloto” do drone: por cada viagem entre o México e os Estados Unidos recebia mil dólares.

Embora admita que o método tem cada vez mais “seguidores” entre os narcotraficantes, Alana Robinson, do Ministério Público de San Diego, considera que este não terá sucesso, uma vez que um drone é “ruidoso”, as baterias são limitadas e o peso que pode transportar é, por exemplo, “inferior ao que pode ser transportado num automóvel ou lancha”.

Esta terça-feira, num inflamado comício em Phoenix, Arizona, o presidente norte-americano Donald Trump acusou os democratas de serem “obstrucionistas” em relação ao muro que pretende erguer ao longo da fronteira com o México — e com o qual pretenderia não só impedir o fluxo migratório mas igualmente o tráfico de droga. Trump acusou a oposição de “colocar toda a segurança da América em risco” e ameaçou “fechar o governo” para concretizar o seu objetivo, embora não tenha esclarecido de que forma seria possível concretizar a ameaça.