O ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral continua a surfar na onda do otimismo e antecipa o maior crescimento do século para este ano. Em entrevista ao jornal espanhol “El País”, o governante atribui os resultados positivos da economia à invertida do caminho da austeridade, ao aumento do investimento e das exportações.

Este trimestre o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 2,9%, a maior subida dos últimos 17 anos; e o semestre fechou com um aumento de 2,8%. Tudo faz prever que Portugal acabe o ano com o maior crescimento do século“, declarou o ministro ao jornal espanhol.

O governante destacou ainda outros indicadores referentes à economia portuguesa: o investimento cresceu 10% este trimestre, o que, segundo Caldeira Cabral, “garante a sustentabilidade do crescimento”. Também as exportações estão a crescer 9%, “o maior ritmo da década” e “mais do que em países como Holanda ou Alemanha, referências de competitividade”.

A evolução destes indicadores deve-se, em grande medida, à mudança do rumo que vinha sendo seguido desde a chegada da troika, em 2011, garante o ministro.

Acabámos com a austeridade e adotámos uma política moderada e responsável, devolvemos rendimentos aos trabalhadores e pensionistas e a assegurámos aos cidadãos que não teriam mais cortes nos apoios sociais. Assim se recuperou a confiança dos portugueses e dos investidores“, explicou o governante.

Questionado sobre o papel do turismo, Caldeira Cabral rapidamente respondeu que também a indústria agroalimentar, do calçado, do têxtil e automóvel registaram melhorias e que o crescimento da economia se deve ao “investimento e às exportações, que estão muito diversificadas”.

Sobre o incremento do turismo, Caldeira Cabral destaca que a “novidade é o crescimento do turista vindo de França, Alemanha, China, Índia ou Estados Unidos, que cresce 40%”. “É um turismo diversificado em destinos, pessoas e estações do ano”, detalhando que “as regiões que mais crescem são o Norte e as ilhas dos Açores, com subidas de 20%”.

Crescemos em qualidade. Os turistas aumentaram 11% este ano mas a faturação cresceu 20%. Estão a ser construídos 200 hotéis, a maioria de quatro e cinco estrelas”.

“Sempre vão existir países com salários mais baixos”

Quanto ao aumento da competitividade, Caldeira Cabral sublinha que não se deve a redução de salários, muito pelo contrário, embora admita que “sempre vão existir países com salários mais baixos”.

“O caminho é o de valorizar os nossos produtos e isso passa pelo desenho, pela criação de marcas e entrada nas cadeias de valor”, defende, referindo que “há muitos produtos que saem das fábricas portuguesas a cinco euros e são vendidos a 50”. E a “solução não é baixar o preço da produção para os 4,5 euros, mas conseguir entrar nessa cadeia de valor de 45 euros”.

E dá o exemplo do calçado e do têxtil que se “reinventaram, apostando na formação e desenho, e não em cortes salariais”. “É esse o caminho a seguir.”

Mas sublinha que o investimento, pela primeira vez, se transferiu para as áreas da engenharia, investigação e tecnologia, “o que está a levar a uma alteração estrutural da economia portuguesa”.

A Web Summit não ficou de fora da entrevista. Caldeira Cabral falou das “consequências imediatas”: a mudança do escritório da Web Summit de Dublin para Lisboa, “com mais de 100 empregados”; a chegada de investidores e ainda empresas estrangeiras que mudaram parte da atividade para Portugal, como a Second Home, a Siemens e a Mercedes Benz.