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A noite de abertura do Queer Lisboa 2017 será marcada pela estreia de “God’s Own Country”, de Francis Lee, um filme sobre a relação entre dois homens na Inglaterra rural dos nossos dias – já comparado a “O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e de três Óscares em 2006.

A 21ª edição do festival começa nesta sexta-feira, 15, e termina no dia 23, no Cinema São Jorge, com bilhetes a quatro euros. Em destaque vão estar realizadores como André Techiné, Bruce LaBruce ou João Pedro Rodrigues.

A programação estende-se ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, onde a artista multimédia Shu Lea Cheang marcará presença para dar uma aula aberta e apresentar “Brandon”, uma narrativa não-linear criada para a internet e inspirada em Brandon Teena, transexual assassinado nos EUA em 1993.

Shu Lea Cheang, natural da Formosa e radicada em Paris, é também alvo de uma retrospetiva de homenagem por parte do Queer Lisboa, com a exibição de várias das suas obras no São Jorge.

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O festival apresenta, desta vez, “linhas narrativas, estéticas, formais e até mesmo ideológicas, que permitem antever direções do cinema queer” para os próximos anos, de acordo com a organização, a cargo da associação cultural Janela Indiscreta.

São cinco as secções competitivas – Longas-Metragens, Documentários, Curtas, In My Shorts (obras de estudantes) e Queer Art. Entre os jurados contam-se as atrizes Isabel Abreu e Ana Moreira, o realizador Sérgio Tréfaut, o ator João Villas-Boas e a coreógrafa Carlota Lagido.

O mais antigo festival de cinema de Lisboa, e o único em Portugal com o propósito de exibir filmes de temática gay, lésbica, bissexual e transgénero (LGBT), teve 7.529 espectadores no ano passado, regista o Instituto do Cinema e do Audiovisual, que faz a recolha destes dados.

Eis alguns dos filmes que poderá ver.

“God’s Own Country”, de Francis Lee (sexta,15, 21h00; domingo, 17, 17h15)

A primeira longa de Francis Lee narra a descoberta da sexualidade por dois jovens adultos no norte rural de Inglaterra. Foi exibida este ano no festival de cinema independente de Sundace e distinguida em Berlim com o Prémio Harvey (uma das categorias do Prémio Teddy, para filmes LGBT).

“Beach Rats”, de Eliza Hittman (sábado, 16, 19h30)

A família (e, já agora, Coney Island, Nova Iorque) são pano de fundo para a história de um adolescente pobre à procura de entender a orientação sexual. Um objeto erótico, cuja fotografia obscura tem sido comparada à de “Moonlight”, filme-sensação de Barry Jenkins. Ganhou em Sundance o prémio de Melhor Realizadora.

“Corpo Elétrico”, de Marcelo Caetano (sábado, 16, 22h00; segunda, 18, 17h15)

A primeira longa-metragem de Marcelo Caetano, de 34 anos, parte do poema erótico de Walt Whitman “Eu Canto o Corpo Eléctrico”, de 1881. Um filme contra a hegemonia do amor romântico, explicou o realizador brasileiro ao jornal “Folha de S. Paulo”.

“The Strangest Stranger”, de Magnus Bärtås (domingo, 17, 17h00)

Documentário rodado em Tóquio sobre Joni Waka, um homem “carismático e falador, autoproclamado outsider, mitomaníaco, homossexual e o centro das atenções em todas as festas”.

“The Strangest Stranger” é uma coprodução sueca e japonesa

Looping, de Leonie Krippendorff (domingo, 16, 17h15)

A alemã Leonie Krippendorff , nascida em 1985, assina um filme sobre a ligação entre três mulheres de 19, 35 e 52 anos que se encontram numa clínica psiquiátrica.

“Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?”, de J.P. Rodrigues (domingo, 17, 19h15)

Encomenda do Centro Pompidou, quando da retrospetiva francesa dedicada a Rodrigues em 2016, é uma curta documental que funciona como autorretrato do realizador português. Ganhou a Competição Nacional no último Curtas de Vila do Conde e em julho teve direito a exibição na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

O filme estreou-se em Paris no ano passado

“Coelho Mau”, de Carlos Conceição (segunda, 18, 19h15)

Passou na Semana da Crítica de Cannes 2017, é a mais recente curta do português Carlos Conceição, nascido em Angola em 1979. “Um rapaz tímido domina o amante da mãe”. Assim começa a sinopse.

“Os Humores Artificiais”, de Gabriel Abrantes (terça, 19, 19h15)

“Muitas vezes, o meu trabalho é sobre a falta de capacidade de comunicação e aqui é esse tema que prevalece”, resumiu o português Gabriel Abrantes ao Observador, em fevereiro, quando levou esta comédia ao Festival de Berlim. “Apresento a tentativa de se criar inteligência artificial que consiga atravessar todas as fronteiras de linguagem.”

“Quand On A 17 Ans”, de André Téchiné (quarta, 20, 21h30)

Antestreia nacional do filme que o realizador francês apresentou na competição no Festival de Berlim do ano passado. Uma história de tensão e descoberta da sexualidade entre adolescentes.

“Fluidø”, de Shu Lea Cheang (quarta, 20, 22h00)

Incluída na retrospetiva dedicada a Shu Lea Cheang, um dos “nomes maiores” do cinema queer atual, como classifica João Ferreira, diretor artístico do festival, é uma longa de ficção científica, situada a quatro décadas de distância, que ajuda a refletir sobre a sida e a biopolítica.