O ministro das Finanças alemão está disposto a abandonar o seu posto no Governo de Angela Merkel e assumir a presidência do parlamento alemão. A informação está a ser avançada por uma fonte partidária. A chanceler, que venceu as eleições de domingo sem maioria, tem planos para indicar Wolfgang para liderar o Bundestag numa reunião que se vai realizar no dia 17 de outubro, de acordo com a fonte partidária citada pela agência Bloomberg. Entretanto, a proposta para novo cargo foi confirmada por Volker Kauder, o presidente do grupo parlamentar da CDU.

A troca de cargos já tinha sido noticiada pelo jornal Bild esta quarta-feira, mas até agora não houve comentário do Ministério das Finanças. Schäuble é o ministro mais poderoso da zona euro e um dos grandes defensores das políticas austeridade nos países que sofreram a crise da dívida soberana, como Portugal. A sua saída de cena permite a Merkel negociar o cargo de ministro das Finanças nas discussões para a constituição de uma aliança de governo com partidos minoritários, nomeadamente o Liberal.

Pelo menos um destes partidos sinalizou durante a campanha eleitoral que estaria disponível a apoiar um Governo minoritário da CDU de Angela Merkel, mas exigindo em troca a pasta das finanças. Apesar da longevidade de Wolfgang Schäuble na equipa de Merkel — era ministro das Finanças desde 2009 e atravessou nessas funções todos os resgates aos países do euro — as posições assumidas pelo ministro alemão nem sempre foram bem recebidas no Executivo e criaram mal-estar em outros governos.

Por mais do que uma vez, Wolfgang Schäuble acenou publicamente com a possibilidade de um segundo resgate a Portugal, sobretudo depois da chegada ao poder do PS, apoiado pelos partidos de esquerda, e na sequência da reversão de algumas medidas adotadas pelo anterior Executivo durante a vigência da troika. A figura do ministro alemão também não era popular na Grécia, país que teve num segundo e um terceiro resgates financeiros.

Mais recentemente o discurso do ministro alemão em relação a Portugal suavizou-se, qualificando mesmo de sucesso a história do resgate financeiro português.

Como líder do parlamento, Wolfgang Schäuble vai ser a segunda figura do Estado alemão, em termos institucionais, mas terá muito menos poder do que como ministro, sobretudo na Europa.