Cartoon

“Mafaldinha”, de Quino, faz 53 anos. E deixou tiras inesquecíveis

7.240

A Mafalda, a contestatária, obra do cartoonista argentino Quino, faz hoje 53 anos que foi lançada. Veja algumas das melhores tiras que retratam o quão a "Mafaldinha" marcou desde miúdos a graúdos

Os primeiros cartoons de Mafalda foram publicados no jornal Primera Plana, de Bueno Aires, cidade de onde o criador é natural

Foi a 29 de setembro de 1964 que a primeira tira de Mafalda, criada pelo cartoonista argentino Quino, apareceu no jornal Primera Plana. 53 anos depois, a pequena contestatária continua muito atual na sua luta pela liberdade e pelos direitos da humanidade.

As primeiras tiras da “Mafaldinha” no jornal argentino Primera Plana. A “contestatária” já questionava o pai e criticava o país.

O cartoonista Quino, em 2014, por ocasião dos 50 anos da sua criação, foi premiado com o prémio Princípe das Astúrias. A tira, que tinha fãs (como Umberto Eco) por todo o mundo – em principal na américa latina-, fez da Mafalda também símbolo da defesa dos direitos das crianças e da luta pela Paz.

Com a ajuda da conta do Twitter da Mafalda, veja algumas tiras da Mafaldinha que melhor retratam como a contestatária marcou miúdos e graúdos.

A Mafaldinha não é (de longe) adepta de sopa, nesta tira faz o desabafo: “A sopa está para infância como o comunismo está para a democracia”.

Nesta tira, mais uma analogia da sopa à política: “Sopa? A fronteira ideológica é para além [atrás da divisória], se faz favor”.

Uma das características do génio de Quino é conseguir, recorrendo apenas ao desenho, fazer os leitores rir.

Com um espírito político, a Mafaldinha questiona olhando para o espelho: “A direita passa a ser esquerda… E a esquerda passa a ser direita”. No final constata: “É uma conspiração!”

Além da Mafalda, outras personagens das tiras ficaram muito conhecidas, como o Manelinho, que não era muito dado aos estudos (mas ao negócio da família, a mercearia do pai, onde já mostrava o seu espírito empreendedor). Nesta tira faz uma questão à professora. “O que não percebeste, Manelinho”, pergunta-lhe ela. Honestamente, responde ele: “Desde março até agora, nada!”.

Outro dos seus conhecidos amigos é o Filipinho. Lá por serem crianças, as questões que perturbam o cenário político internacional não deixavam de lhes escapar. Nesta tira o Filipe diz: “Francamente, eu acredito que se os norte-americanos e os russos dizem que querem o desarmamento [nuclear], é porque realmente querem”. Mafalda riposta: “Certo, Filipe!… E se te dissesse que as vacas voam, acreditavas, não é?”. Filipe sai e diz: “Chiça! És sempre a mesma coisa!”. O resultado da conversa vê-se no último quadradinho.

Umas das piadas recorrentes era a Mafalda brincar à “Estátua da Liberdade”. Os resultados eram também recorrentemente críticas políticas e sociais. Outro dos amigos, o Miguelito, vê-se na tira depois de lhe perguntar o que fazia. No cartoon vê-se a Mafalda a dizer: “Sou a Liberdade, a iluminar o mundo com a sua reluzente lâmpada!… De 15 watts.”

Cada um dos amigos simbolizava tipos de pessoas que se encontram na sociedade. A Susaninha, mais privilegiada que os amigos, tendia a ser mais fútil. Nesta tira, exemplo do diálogo conflituante das amigas, a Susaninha diz: “Quando for grande quero ter muita roupa!”. A Mafalda responde: “E eu muita cultura!”. Ripostando, a Susaninha questiona: “Prendem-te por saíres à rua sem cultura?”. Mafalda: “Não”. A Susaninha termina a argumentação constatando: “Experimenta sair sem roupa!”.

Outra tirada típica da Susaninha entre os amigos enquanto Mafalda discursa em prole dos direitos das crianças: “Nós não somos também parte do país?”. Amigos: “Sim! Muito bem! Bravo!”. Mafalda, no segundo quadradinho: “Não somos também como os outros?”. Amigos: “Claro que somos! Sim!”. Mafalda com mais uma pergunta: “E não somos tanto do povo como qualquer um?”. Susaninha não se contém e berra: “Ai, não! A mim insultos é que não!”.

E porque é tempo de eleições, como última tira (em português e porque não dá para deixarmos as quase duas milhares que Quino fez), fica a Mafaldinha a falar com outro membro do seu grupo, a pequenina amiga chamada Liberdade:

Parabéns Mafalda!

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mmachado@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)