O novo conceito de colonização de Marte apresentado esta sexta-feira pelo presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, inclui foguetões e veículos mais pequenos e desenhados para um uso mais amplo, além da exploração de Marte, como por exemplo a instalação de uma base lunar ou transportes de longa distância entre dois pontos na Terra.

O projeto do foguetão Falcon 9 (o brinquedo preferido da SpaceX) vai ser abandonado por fases, tal como os veículos Falcon Heavy e Falcon Dragon, por fazerem parte de uma linha de aeronaves que não tem lugar nos novos objetivos da empresa.

Os planos conhecidos esta sexta-feira no 68.º Congresso Internacional de Astronáutica, na Austrália, tem sido aprimorado no último ano, desde que o conceito de colonização de Marte foi apresentado no México. Na altura, Musk ambicionava levar um milhão de pessoas para Marte no espaço de 40 a 100 anos.

O que agora ficamos a saber não se afasta desses objetivos, mas esclarece com mais detalhe como será feito o transporte, nomeadamente os pormenores técnicos dos foguetes e aeronaves — que Musk estima representarem um investimento de 10 mil milhões de dólares. Em 2012, a SpaceX só somava 4 mil milhões em receitas, mas o empresário que também detém a Tesla, diz ter solução.

“A coisa mais importante que eu quero endereçar nesta apresentação é que eu acho que já arranjámos forma de pagar isto tudo”, disse.

Um conceito em evolução

O plano de Elon Musk de colonizar Marte gira à volta de um foguete grande — chamado BFR — que é capaz de levar uma nave espacial até ao espaço e de a deixar em órbita. Essa nave, capaz de transportar 100 pessoas, fica em órbita enquanto que o BFR regressa à Terra.

À semelhança dos foguetes da gama Falcon, o BFR será capaz de aterrar verticalmente — de forma a poder descolar logo a seguir. Quando regressar à órbita, o BFR levará combustível para abastecer a nave, que daí parte em direção a Marte.

Uma vez em Marte, 99% da energia da nave será gasta ao atravessar a atmosfera do planeta vermelho, mesmo antes de aterrar suavemente na superfície marciana.

Os novos modelos são mais pequenos e têm menos propulsores, uma evolução desde que o primeiro conceito foi apresentado.

E a fatura?

De forma a tornar este novo sistema financeiramente possível, Musk explicou que a SpaceX vai aproveitar o valor poupado com a reutilização de materiais, além da combinação dos veículos numa só linha de produção.

Queremos ter um propulsor e uma nave que substituam [os modelos] Falcon. Se conseguirmos fazer isso, todas as matérias primas podem ser aplicadas neste sistema”, elaborou.

Musk explicou que o BFR (o tal foguete grande) é capaz de fortalecer o negócio base da SpaceX — que é lançar satélites para empresas públicas e privadas. Mostrou ainda o esboço de uma nave capaz de levar telescópios e satélites gigantes e não só: capaz de colocar em órbita uma nave que iria recolher o lixo espacial.

Mas ainda voltamos à Lua

A NASA tem nos seus planos construir uma pequena estação na órbita da Lua chamada “Deep Space Gateway”, que serviria de ponto de partida e chegada para voos comerciais ou missões à Lua. Especula-se que a administração do atual presidente norte-americano Donald Trump venha a dar indicações à NASA para se envolver em mais missões na superfície lunar (a última foi em 1972).

Musk explicou que apenas um tanque de combustível seria suficiente para transportar uma nave até à superfície lunar e voltar.

Uma outra aplicação das naves seria o transporte entre pontos distantes da Terra. Um vídeo (bastante ambicioso) mostra como seriam utilizadas as novas naves da SpaceX para fazer o trajeto Nova Iorque — Xangai em 39 minutos.

O plano anterior previa que uma nave aterrasse em Marte em 2022. O deadline continua o mesmo: duas naves com matéria-prima vão aterrar em 2022, com quatro veículos a chegarem a 2024. Duas destas naves vão ser pilotadas o que, de acordo com o plano de Elon Musk, os humanos vão caminhar em Marte em apenas sete anos. “Não é uma gralha”, brinca o empresário: “É uma aspiração!”