Mais de dois terços das empresas portuguesas exportadoras de bens estavam completamente dependentes de apenas um mercado em 2016, uma tendência que se tem mantido nos últimos sete anos, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Numa análise às estatísticas do comércio internacional no ano passado, o INE revela uma grande dependência das empresas que exportam bens face a apenas um mercado especifico.

Em 2016, 69,9% das empresas exportaram para apenas um mercado, ligeiramente mais que nos últimos cinco anos, que têm andado na casa dos 69%. Só em 2010 e 2011 é que este número superou os 70%.

Os números são ainda mais significativos quando se verifica o número de empresas que exporta pelo menos metade dos seus bens anualmente para apenas um país. Neste caso, mesmo com uma ligeira redução anual, mais de 94% das empresas exportam pelo menos metade dos seus produtos para apenas um país.

Esta dependência verifica-se pelo menos desde 2010, com pelo menos 94% das empresas com uma grande dependência de apenas um país.

A dependência pode ser verificada quando se olham para os países em particular. Por exemplo, quase 40% das empresas que exportaram bens para Angola o ano passado só tinham negócios com este país, e quase 16% das empresas que exportavam para Espanha – principal mercado para as exportações portuguesas – fizeram-no apenas para o país vizinho.

Apesar de haver uma redução no número de empresas exclusivamente dependentes do mercado angolano, algo que poderá ser consequência natural da contração das importações pela economia angolana.

O INE revela ainda que as empresas mais dependentes de apenas um mercado, por exemplo nestes dois países, são empresas com um reduzido número de trabalhadores – até 10 trabalhadores no caso das exportadoras para Angola, e entre 10 e 49 nas exportadoras para Espanha.

As melhorias verificadas nos últimos anos revelam ainda assim um tecido empresarial muito dependente de apenas um mercado e, assim, sujeito a um forte impacto em caso de crise nestes mercados, como foi o caso angolano nos anos recentes (as exportações para este mercado estarão a recuperar este ano).

No total, as exportações de bens no ano passado cresceram 0,8%, menos que os 1,5% de aumento nas importações de bens, o que gerou um aumento no défice da balança comercial de bens na ordem dos 510 milhões de euros – para os 11,2 mil milhões de euros. Estes valores não incluem as exportações e importações de serviços.