Uma jornalista de Malta, que ficou conhecida por noticiar de forma extensa casos de corrupção no governo daquele país, foi assassinada esta segunda-feira, depois de uma bomba ser colocada no seu carro, de acordo com a televisão pública de Malta.

Caruana Galizia, de 53 anos, terá morrido quando o seu carro explodiu pelas 14h30 (hora local) perto da sua casa em Bidnija, poucos minutos depois de a jornalista fazer a sua última publicação.

No último ano, a jornalista publicou vários artigos com alegações de casos de corrupção que envolvem o primeiro-ministro do país, Joseph Muscat, no seguimento da divulgação de milhões de documentos da empresa Mossack Fonseca, que deu origem ao caso conhecido como Panama Papers.

Os casos noticiados por Caruana Galizia envolviam, entre outros, uma transferência de um milhão de euros da filha do presidente do Azerbeijão para uma conta da mulher do primeiro-ministro de Malta, num negócio que foi montado pela Mossack Fonseca.

Segundo a revista Politico, numa conversa com a jornalista antes as eleições antecipadas convocadas por Joseph Muscat, Caruana Galizia terá confessado que se os trabalhistas de Muscat vencessem as eleições – o que aconteceu – ponderaria abandonar Malta por recear pela sua vida.

A jornalista terá inclusivamente sido alvo de várias ameaças de morte, ameaças essas que foram participadas às autoridades.

Joseph Muscat já se distanciou do caso e disse que se trata de um “ataque hediondo a um cidadão e à liberdade de expressão”. Muscat reconheceu que a jornalista era muito crítica do primeiro-ministro, política e pessoalmente, mas que “nada justifica este ataque bárbaro” e que não irá descansar enquanto não for feita justiça.

O primeiro-ministro de Malta foi um dos vários membros do governo que avançaram com processos contra a jornalista por difamação.