O site fogos.pt bateu recordes de acesso no domingo passado com a calamidade que assolou o país. Para o informático João Pina, que criou o site e o mantém voluntariamente, isso significou um trabalho acrescido para manter disponível o portal que foi visitado por mais de um milhão de pessoas nos últimos dias. Não tendo nenhum lucro com o portal — e tendo esgotado as quotas que paga para usar os mapas da Google, pediu ajuda à empresa para fazer parte do programa sem fins lucrativos que permite manter acessível o fogos.pt sem custos avultados para o fundador. Resposta: o programa não está disponível para Portugal.

Mais de 400 mil utilizadores seguiram incêndios no site que João criou para ajudar os amigos

A conta da Google de João Pina permite a 25 mil usuários acederem ao site gratuitamente com os mapas da empresa americana para localizar os incêndios. O informático pagou para fazer uma atualização que permitisse aguentar o máximo que a Google permite: 400 mil utilizadores ao mesmo tempo, contou ao Observador.

A API Key (nome técnico dado à chave digital que permite sites usar os mapas) foi alargada nos últimos dias por técnicos da Google para um milhão de pessoas poderem aceder ao fogos.pt, mas não foi suficiente. Esta ajuda graças a “estranhos do Twitter”, como diz João, ajudou nos períodos em que um maior número de pessoas procurava informação sobre os locais de incêndios, mas vai voltar aos limites a que está sujeito.

O que João procura para o site que gere é poder usar gratuitamente as API Key, como a Google já permite no estrangeiro, graças ao programa NonProfit (sem fins lucrativos). A resposta foi que esta benesse para projetos como o do João não está disponível para Portugal, explicou o fundador do fogos.pt.

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Ao Observador, João assume: “Não é só para mim que este programa seria útil em Portugal, outras organizações, como as corporações de bombeiros, tinham o trabalho facilitado quando tivessem de dar informações sobre o local de incêndios e incidentes”. João até fez uma parceria com os Bombeiros de Canas de Senhorim, de onde é natural, e já tem os códigos necessários e documentos necessários para integrar o programa, “falta apenas estar disponível cá”, diz.

O Observador tentou entrar em contacto com a Google, mas até à hora a que esta notícia foi publicada não obteve resposta.