Incêndios

Manuel Alegre critica “falência do Estado” por “desleixo, incompetência e amiguismos”

5.628

O histórico socialista, que foi deputado e candidato a Presidente da República, afirma que "não consegue ficar calado". Num artigo de opinião no DN, Manuel Alegre fala de interesses instalados.

Manuel Alegre assume que se sente culpado

PEDRO NUNES/LUSA

O histórico socialista Manuel Alegre assina esta quarta-feira um artigo de opinião no Diário de Notícias em que afirma que a tragédia dos incêndios em Portugal mostra a “falência do Estado”, fruto de “desleixo, incompetência e amiguismos”.

Dá vontade de chorar e não consigo ficar calado. É um símbolo triste da falência do Estado, fruto de décadas de desleixo, de incompetências, de amiguismos múltiplos, da submissão do interesse geral a interesses instalados e da capitulação perante lógicas que não são a dos fins superiores do Estado e do país”, escreve.

Manuel Alegre critica as reformas feitas que resultaram na saída dos meios de combate aos incêndios das mãos do Estado, sendo “entregues ou partilhados com empresas privadas”, no artigo intitulado: “Não consigo ficar calado”.

“Vi o meu país a arder, sei que morreram cem pessoas em quatro meses e não consigo ficar calado. Talvez a culpa seja minha, porque fui deputado e participei na construção de uma democracia que a páginas tantas se distraiu e não soube resolver problemas estruturais, como o reordenamento do território e das florestas, assim como o combate ao abandono e à desertificação do país”, lamenta.

O socialista diz ter “por vezes” protestado, mesmo contra o seu partido, mas que tal “não foi suficiente”. “Não consigo calar-me e sinto-me culpado”, sublinha.

Alegre admite não ser especialista, mas defende que “os meios de combate aos incêndios devem passar para o Estado” e que “se torna urgente a criação de um corpo nacional de bombeiros profissionais organizado segundo normas e regras de tipo militar”.

“Vai ser preciso enfrentar preconceitos e interesses instalados, mas este é um tempo em que é preciso coragem para tomar decisões para que o Estado não se demita de exercer as suas funções de soberania e seja capaz de proteger o território e garantir a segurança dos portugueses”, conclui.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)