A viúva de um militar norte-americano morto em combate no Níger disse esta quinta-feira que Donald Trump a fez “chorar ainda mais” com o seu telefonema. Myeshia Johnson falou pela primeira vez do telefonema que teve com Trump, que na semana passada se tornou polémico depois de uma congressista democrata ter acusado o presidente norte-americano de ter dito à viúva que o seu marido “sabia ao que ia”.

Johnson disse ainda que Trump se esqueceu do nome do seu marido, que foi morto a 4 de outubro numa emboscada no Níger, mas o presidente norte-americano já negou que isso tivesse acontecido. “Tive uma conversa muito respeitosa com a viúva do sargento La David Johnson e disse o nome dele desde o início, sem hesitar”, escreveu Trump no Twitter.

Numa entrevista ao programa Good Morning America, Myeshia Johnson destacou que o telefonema a deixou “muito triste” e confirmou que Trump lhe disse que o seu marido “sabia ao que ia”. “Fez-me chorar porque eu estava muito zangada com o tom da voz dele e com a forma como ele disse que não se conseguia lembrar do nome do meu marido”, acrescentou a viúva.

“Se o meu marido está lá fora a lutar pelo nosso país e coloca a sua vida em risco pelo nosso país, porque é que não se consegue lembrar do nome dele?”, questionou Myeshia Johnson, recordando que durante o telefonema não “disse nada”, apenas ouviu.

Na semana passada, a congressista democrata Frederica Wilson, da Flórida, acusou Donald Trump de ter dito à viúva que o soldado sabia que ia para a guerra. O chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, confirmou que aconselhou o presidente a fazer o telefonema com base na sua experiência — Kelly perdeu o seu filho Robert no Afeganistão em 2010, pelo que também recebeu, nesse ano, um telefonema presidencial a informá-lo da morte do filho.

“Ele sabia quais eram as possibilidades, porque estamos em guerra. Foi isso que o presidente tentou dizer às quatro famílias no outro dia”, disse John Kelly.