Angola

José Eduardo dos Santos. Fundação diz que notícias sobre subornos visam denegrir imagem de ex-PR

A Fundação Eduardo dos Santos nega a veracidade das notícias sobre alegados pagamentos de milhões de euros de uma empresa pública espanhola feitos à fundação do ex-Presidente angolano.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A Fundação Eduardo dos Santos (FESA) negou a veracidade das notícias veiculadas pela imprensa espanhola, sobre alegados pagamentos de milhões de euros de uma empresa pública de Espanha, em investigação pela Justiça, feitos à fundação do ex-Presidente angolano.

Em comunicado a que a Lusa teve acesso, a FESA classifica as notícias em causa como “falsas e difamatórias” e que visam “denegrir o bom nome e imagem” daquela fundação “e do seu patrono”.

“Vimos desmentir categoricamente a veracidade de tais notícias e reafirmar que a FESA não tem nem nunca teve qualquer relação com a empresa mencionada, nem nunca teve qualquer ligação com o referido projeto, desafiando a quem de direito para a apresentação de provas em relação a este artigo”, lê-se no comunicado.

Em causa um alegado benefício resultante de comissões cobradas à empresa espanhola Mercasa, contratada pelo executivo angolano para a construção do Centro Logístico de Distribuição Alimentar de Luanda, conforme notícia revelada este mês pelo jornal El Mundo. “A FESA sempre pautou a sua conduta pelos mais elevados padrões de ética e transparência nas suas ações”, sustenta ainda o comunicado.

De acordo com a edição de 12 de novembro daquele jornal, a Justiça espanhola descobriu alegados pagamentos de milhões de euros de uma empresa pública espanhola a uma fundação do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que deixou o poder na sequência das eleições gerais de 23 de agosto, ao fim de 38 anos.

Segundo a notícia, a procuradoria anticorrupção espanhola investiga, no âmbito do mesmo caso, uma comissão paga pela empresa Mercasa à fundação com o nome de José Eduardo dos Santos que pode ter chegado aos dez milhões de euros num negócio de construção de um mercado de abastecimento na capital angolana.

O desvio de fundos terá sido feito através de um intermediário que está em Angola, Guilherme Taveira Pinto, cuja casa, situada em Linda-a-Velha, Oeiras, foi alvo de buscas em 2014 no âmbito de outro caso de venda de armas de uma empresa espanhola a Angola, em que também foi intermediário e na qual desapareceram 100 milhões de euros.

O suspeito, que está em Angola em fuga de um mandado internacional de detenção, terá remetido o dinheiro que recebeu à fundação, descobriram os investigadores, que analisaram também contas de correio eletrónico.

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