Trezentos e cinco: é este o número de mortos do atentado terrorista a uma mesquita sufista na cidade de Bir al-Bed, no norte do Sinai. Desses, pelo menos 27 são crianças. Os feridos são quase 130, e dois deles contaram à CNN como foi o ataque. No entanto, nenhum revelou o nome. Apesar de ainda não ter sido reivindicado, as autoridades creem que o atentado é obra do Estado Islâmico, bem como os sobreviventes, que temem que as suas famílias possam ser o próximo alvo.

Um desses sobreviventes diz ter-se escondido debaixo de cadáveres para se salvar. A mesquita já tinha sido baleada e os atacantes procuravam, entre os mortos, por alguém que ainda estivesse vivo. À CNN, o sobrevivente diz que entre esses mortos estão o irmão e o sobrinho. Do filho “só soube duas horas depois”, contou, do exterior do Hospital Universitário Suez Canal.

O mesmo ataque tirou nove familiares ao outro sobrevivente com quem a CNN falou, incluindo o pai. “Ninguém saiu da mesquita”, disse, em anonimato. O sobrevivente, que se encontrava no hospital de Ismailia, afirma que os “militares podiam ouvir os tiros da sua unidade e não se mexeram”, acrescentando que “até as ambulâncias vieram debaixo de fogo”.

O canal norte-americano escreve que as famílias, que esperavam por novidades de familiares à porta do hospital, tão pouco quiseram revelar os nomes. “Eles podem matar-nos”, justificam. Falam do Estado Islâmico, cuja bandeira pelo menos um dos atacantes levou para o atentado.

O Sufismo, vertente do Islão praticada na mesquita atacada, é uma corrente mística e contemplativa em que os praticantes procuram desenvolver uma relação mais íntima, introspetiva, direta e próxima com Deus, promovendo tolerância e pluralismo, algo que é considerado por extremistas e jihadistas como heresia.