IGCP

Portugal emite quatro mil milhões em dívida a 10 anos

Emissão de dívida, com a ajuda de conjunto de bancos, atraiu cerca 17 mil milhões de euros em procura por parte dos investidores. Juro ficou ligeiramente abaixo de 2%.

António Cotrim/LUSA

O Tesouro português avançou nesta quarta-feira com uma emissão de dívida a 10 anos que resultou na colocação de quatro mil milhões de euros mas atraiu uma procura equivalente a 17 mil milhões, o que permitiu que o custo para o Estado tenha ficado ligeiramente acima de 2%.

“Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo”, comentou Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, em nota difundida pelas redações. “Portugal é dos países com um risco não muito elevado que pagam melhor a quem nos empresta dinheiro. Daí a procura ter sido muito superior à oferta”, comentou o especialista.

A operação foi montada por um conjunto de bancos — daí falar-se em emissão sindicada, apoiada num sindicato bancário. Uma emissão sindicada distingue-se de um leilão regular porque existe um trabalho de casa prévio, feito por esses bancos de investimento, para avaliar a procura que existe por dívida pública portuguesa no prazo definido (10 anos). Este é o método mais comum que é usado para emitir montantes mais elevados do que nos leilões regulares e, além disso, é desta forma que tipicamente se inauguram novas linhas de obrigações (ao passo que nos leilões o mais comum é utilizarem-se linhas já existentes, emitindo mais títulos associados a esses prazos).

A procura sólida permitiu que, nas horas em que os livros de ordens estiveram abertos, o IGCP baixasse a remuneração proposta, que ficou fechada em 114 pontos-base acima das taxas de mercado, ou seja, o equivalente a uma taxa absoluta de 2,05%.

Uma emissão, através de leilão, feita em novembro implicou uma taxa de 1,939%. “A comparação com a anterior emissão 10 anos serve de referência, mas não totalmente, porque a dívida emitida hoje vence-se em outubro de 2028, ou seja, daqui a 10 anos e 10 meses. Dez meses fazem alguma diferença, o que também está refletido na taxa, que saiu em linha com o mercado e em linha com os spread de emissões que vencem entre 2025 e 2030″, explica Filipe Silva.

Em comparação com os juros de Espanha, por exemplo, neste momento no mercado secundário os investidores estão a pedir uma taxa de 1,54%.

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