Menos vacinas da gripe dadas a grupos de riscos em toda a Europa

O número de vacinas da gripe dadas a grupos de risco caiu durante sete anos. As autoridades de saúde internacionais alertam para a diminuição da proteção de grupo e para o risco de pandemia.

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Em metade dos países analisados, menos de um em cada três idosos leva a vacina sazonal da gripe

DANIEL MIHAILESCU/AFP/Getty Images

Em metade dos países analisados, menos de um em cada três idosos leva a vacina sazonal da gripe

DANIEL MIHAILESCU/AFP/Getty Images

A toma da vacina sazonal contra a gripe está longe de ter a cobertura esperada pelas organizações de saúde e caiu entre 2008/2009 e 2014/2015 (período sobre o qual incidiu a análise). A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Centro Europeu para Prevenção e Controlo da Doença (ECDC, na sigla em inglês) alertam, num comunicado enviado esta terça-feira, que a baixa cobertura da vacina sazonal da gripe pode colocar em risco a capacidade de proteger as pessoas durante a epidemia anual e na próxima pandemia.

A recomendação era que todos os países da Região Europeia da OMS conseguissem dar a vacina a 75% das pessoas mais velhas. O objetivo era que o conseguissem fazer até 2010, mas só a Holanda o conseguiu fazer na altura, refere o artigo científico publicado na revista Vaccine. Desde então, também este país tem diminuído a cobertura da vacina. Na época de 2014/2015, um único país atingiu o objetivo: a Escócia. Mas Bielorrússia, Inglaterra e Irlanda do Norte ficaram perto do objetivo.

De forma geral, ao longo dos sete anos analisados, o número de vacinas dadas diminuiu, mas o número de doses disponível na região aumentou: de 60 milhões, em 2008/2009, para 68 milhões, em 2014/2015. O aumento do número de doses não foi, no entanto uniforme: cinco países, incluindo Portugal (mais 500 mil doses), aumentaram o número de doses, mas metade dos países analisados diminuiu a quantidade que costumava disponibilizar.

A maior parte dos países, tal como Portugal, recomenda a vacina a pessoas mais velhas — em Portugal a partir dos 60 anos —, a doentes crónicos, profissionais de saúde e grávidas. Mas a cobertura vacinal permanece baixa em todos estes grupos. Menos de metade dos países analisados incluía também as crianças no programa de vacinação contra a gripe e apresentavam uma cobertura vacinal muito variável — de 1 a 80%.

Se as pessoas mais velhas são um dos grupos que exige maior preocupação, porque são o grupo que mais mortes tem associadas ao vírus da gripe. Outro dos grupos cuja baixa cobertura vacinal levanta preocupações são os profissionais de saúde. Por um lado, este grupo está muito mais exposto ao vírus. Por outro, é relativamente fácil que um profissional de saúde infetado transmita o vírus a colegas e outros doentes. Mais, um profissional de saúde que não se vacine tem menor probabilidade de recomendar a vacinas aos seus doentes. Em Portugal, apenas 28% dos profissionais de saúde levaram a vacina sazonal da gripe em 2014/2015.

“A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir doenças graves causadas pelo vírus da gripe”, afirmou Zsuzsanna Jakab, diretora regional da OMS/Europa. “Isto é uma preocupação séria para as pessoas em risco de sofrerem consequências graves, especialmente os mais velhos, e no futuro é potencialmente uma preocupação para toda a população, visto que a produção de vacinas contra a pandemia de gripe estão intimamemente relacionadas com o uso da vacina sazonal.”

Nos países de baixo rendimento há pouca cobertura vacinal e pouca procura da vacina — 6,1 doses por cada mil habitantes em 2014/2015 —, o que pode ser justificado pelo facto de não ser considerada uma doença prioritária na qual se deva investir os escassos recursos. A falta de dados de mortalidade e morbilidade e custos associados pode justificar a pouca perceção que países de baixo e médio rendimento têm do impacto da doença. Nos países de médio rendimento, em 2014/2015, existia 25,6 doses por cada mil habitantes.

Já nos países de mais alto rendimento havia 139,2 doses por cada mil habitantes, mas as baixas coberturas vacinais continuavam a existir. Algumas das justificações apontadas pelos autores do artigo passam por: “falta de confiança nas vacinas (eficácia e segurança), pouca perceção da necessidade de vacinação, falta de recomendação por parte dos profissionais de saúde, redução generalizada da confiança nas instituições de saúde pública depois da pandemia de H1N1, em 2009, e incapacidade de cobrir os custos da vacinação”. Perceber melhor as barreiras à vacinação para a sua posterior eliminação serão fundamentais para reverter esta tendência de redução da cobertura da vacinação contra a gripe sazonal, concluem os autores.

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