Portugal foi um dos países da zona euro que mais reduziram o stock de crédito mal parado nos últimos dois anos. Dados do Banco Central Europeu, divulgado pela Bloomberg esta semana, revelam que o valor dos empréstimos em incumprimento se fixou em 32,3 mil milhões de euros em setembro de 2017. Este montante compara com os 41,770 mil milhões de euros atingidos em março de 2016, precisamente na altura em que o problema do crédito mal parado na banca nacional andava nas bocas de políticos e economistas. E não apenas dentro de portas.

FMI diz que banca italiana e portuguesa são risco para a economia global

Neste período, o crédito malparado na banca nacional encolheu quase 9,5 mil milhões de euros, o que traduz uma queda de 22,7% entre março de 2016 e setembro do ano passado. Comparando a performance dos outros sistemas bancários da zona euro, Portugal foi o quinto país onde o malparado mais recuou em termos relativos, numa lista onde estão outros pesos pesados do crédito em incumprimento.

A Itália, que foi muitas vezes apontada ao lado de Portugal, como tendo um dos sistemas bancários mais fragilizados, cortou o malparado em quase 27% no mesmo período. Na Irlanda, e com base em dados de junho, o stock dos empréstimos de má qualidade diminuiu 24%. Na zona euro, o crédito malparado reduziu-se em 19%.

Mas se Portugal até sai bem na fotografia quando olhamos para a evolução em valores, já no que toca à percentagem do malparado na carteira total de crédito, o resultado não é tão positivo. Apesar deste indicador ter caído quase dez mil milhões de euros, as operações em incumprimento continuam a ter um dos pesos mais significativos no crédito total com uma percentagem de 17,8% em setembro, ainda assim melhor que os 19,1% de março de 2016. Este é o quarto rácio mais alto na zona euro, apenas ultrapassado pela Grécia — 46,7%, Chipre (país que foi resgatado por causa do sistema bancário)  — 33,9% e Croácia — 19,1%.

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Não obstante ser, em termos absolutos, a campeã dos empréstimos em incumprimento, com montantes de 221 mil milhões de euros, o rácio de malparado da banca italiana é bastante inferior ao português, situando-se em 12,3%. Em Espanha o rácio é de apenas 4,7%. Finlândia, Alemanha, Holanda e Luxemburgo têm os rácios de crédito em incumprimento mais baixos da moeda única, inferiores a 3%. O rácio de crédito malparado da zona euro fixou-se em 5,4% da carteira total.

A melhoria da situação do malparado na banca europeia é o reflexo da evolução positiva da economia, mas também de medidas tomadas em alguns países para atacar o problema. Em Portugal, avançou uma plataforma integrada de gestão dos créditos de má qualidade, acima dos cinco milhões de euros, a que aderiram os bancos mais expostos ao malparado — a Caixa, o Novo Banco e  BCP. Os resultados desta plataforma, que arrancou no final do ano passado, ainda não são conhecidos, mas os bancos que já apresentaram resultados, e dos grandes falta apenas o Novo Banco, sinalizaram uma diminuição no rácio de crédito em incumprimento no ano passado.

Os seis maiores bancos portugueses prometeram ainda ao Banco de Portugal reduzir a percentagem do malparado nos seus balanços para 10% do crédito total até 2021.

Grandes bancos apostam em reduzir crédito malparado para metade até 2021