Congresso do PSD

Santana defende Rio contra o “chico-espertismo” dos que o tentam “condicionar”

Pedro Santana Lopes aproveitou o Congresso do PSD para apelar à união do partido. E deu o exemplo, centrando o discurso na crítica ao "chico-espertismo" dos que tentam "condicionar" sem ir a votos.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

Um discurso longo, já bem depois da hora, assente num princípio que Pedro Santana Lopes repetiu à exaustão: os sociais-democratas devem ter “sentido de responsabilidade” e abandonar o “clima de guerra”. O candidato derrotado na corrida interna pediu “união e convergência” em torno de Rio — e desafiou os outros a esquecerem o “chico-espertismo”.

“Não gostei de ver tentarem condicionar-te mal foste eleito e mesmo antes de tomares posse aqui neste congresso. Tu ganhaste, tens todo o direito a executar esta estratégia”, defendeu Pedro Santana Lopes. Para o ex-presidente da Câmara de Lisboa, o facto de alguns terem criado um “clima de guerra” já depois das eleições internas, “tocando tambores” nas vésperas da reunião magna do partido, foi “absolutamente irresponsável”.

Com sala cheio mesmo depois da meia-noite, Santana Lopes aproveitou para criticar os que só vieram a jogo depois das eleições, dizendo não gostar do “chico-espertismo das manobras que tentaram condicionar um líder eleito”. Que manobras? As entrevistas em que alguns sugerem que, daqui a dois anos, o líder será outro ou as “cartas” enviadas a tentar “condicionar” o novo líder. Sem nunca concretizar os alvos a que se dirigia, havia dois nomes na cabeça de todos: Miguel Relvas e Miguel Pinto Luz.

“Não podemos dizer da boca para fora e dizermos que queremos ganhar à frente de esquerda, mas depois cá dentro fazer o contrário. Unamo-nos”, apelou. “O importante é o nosso PPD/PSD. Estamos preocupados com ele? Estamos. Vivemos um período difícil, ficámos sem um líder, temos um novo”, notou Santana. Tudo para dizer que a palavra de ordem tem de ser uma: união.

O ex-primeiro-ministro não resistiu a cometer uma inconfidência. “Perguntei-te [a Rui Rio] se querias ganhar e bem as próximas eleições e tu disseste ‘sim, claro’”. Perante isto, Santana quis dar o sinal: está sempre ao lado de Rio para uma tarefa que “não é fácil”, assumiu.

A eventual aproximação de Rio ao PS, tema central da discussão interna entre os dois, não foi esquecida. “Estamos unidos no princípio que não há Bloco Central. Mas se alguma vez se pusesse a questão, todos juntos procuraríamos chegar à melhor solução”, sugeriu Santana Lopes.

A terminar, Santana Lopes deu outro sinal de lealdade a Rui Rio, dizendo esperar que o novo líder cumpra “vários mandatos” à frente do PSD. E uma última referência a Passos, o último elogio ao ex-líder: “Oh Rui, agora, vão começar a descobrir-te os defeitos, agora que Passos Coelho saiu são só qualidades”.

Entretanto, Miguel Pinto Luz já respondeu a Pedro Santana Lopes. Em declarações ao Observador, o ex-líder do PSD/Lisboa refutou as críticas e falou em incoerência. “Já todos sabemos que quando Santana Lopes discorda ou pede clarificações é liberdade e coragem. Quando são outros, já é divisionismo e tentativa de condicionamento”, afirmou.

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