O presidente da comissão instaladora da Agência Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF), que está a preparar o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, afirma, sobre a obrigação das pessoas de limparem as matas à volta das suas propriedades, que “haveria formas diferentes de fazer a comunicação”. Mas, para Tiago Oliveira, o que é importante também é que “se perceba que a situação é de risco, que o país está colocado perante uma urgência e todos somos parte da solução“.

Proprietários têm até 15 de março para limpar terrenos e evitar coimas

Em entrevista à Rádio Renascença, Tiago Oliveira comentou que “2018 será certamente um ano difícil, tanto por questões meteorológicas, mas essencialmente porque há uma pressão grande para que as coisas corram bem”. A garantia do responsável, contudo, é que “vamos estar mais bem preparados, o esforço que está a ser feito é nesse sentido”. “Há uma maior discussão em volta do tema da prevenção, da limpeza do mato, as pessoas estão mais preparadas e têm mais consciência que a Proteção Civil começa em si mesmos”, defende Tiago Oliveira.

As autarquias estão envolvidas e entusiasmadas em fazer um trabalho mais consistente. Estamos a começar um trabalho que devia ter sido feito no passado e que não foi e agora estamos todos a fazer um bocadinho à pressa.”

Um guia para perceber a lei da limpeza dos terrenos. Excesso de zelo, ou seguro contra incêndios?

Tiago Oliveira diz que “uma fratura exposta não se resolve com um penso rápido”. “Há problemas profundos que são sistémicos”, afirma o responsável, acrescentando que também “é necessário alterar a paisagem, mas isso é um processo de mais longo prazo e tem a ver com reforma florestal”.

No curto prazo, há uma preocupação de ensinar às pessoas como é que elas devem proceder num incêndio – quer os portugueses, quer os estrangeiros que nos visitam. Preparar as aldeias, as áreas industriais, as pequenas casas isoladas, responsabilizando o proprietário, que pode agir com o apoio do município.

Saudando que se esteja desde janeiro a falar em prevenção de incêndios, Tiago Oliveira sublinha que “há orçamentos aprovados que estão a ser implementados e que indicam que 70% do dinheiro vai ser envolvido na área da prevenção, portanto, já se está a dar um sinal de que as coisas estão a mudar para o lado da prevenção”. “No presente ano temos que estancar a hemorragia enquanto vamos fazendo o processo de transição”, conclui.