A ex-guerrilha colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciou esta quinta-feira que não irá concorrer às eleições presidenciais na Colômbia, agendadas para finais de maio, devido aos problemas de saúde do seu líder e candidato Rodrigo Londoño.

Londoño, também conhecido como Timoleón Jiménez ou Timochenko, foi submetido na quarta-feira a uma cirurgia cardíaca (revascularização miocárdica), após ter sofrido, há cerca de uma semana, um ataque cardíaco. O atual estado de saúde de Rodrigo Londoño, de 59 anos, “leva-nos a retirar a nossa aspiração à presidência”, disse o ex-comandante da guerrilha Ivan Marquez, candidato ao Senado nas eleições legislativas colombianas do próximo domingo, numa conferência de imprensa.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, a clínica em Bogotá onde foi realizada a cirurgia de Londoño informou que o estado de saúde do líder das FARC estava a evoluir de forma “satisfatória”, mas que o paciente estava a ser submetido a uma “terapia respiratória intensiva” por causa de problemas associados ao tabagismo.

Londoño, o último comandante daquela que foi a guerrilha mais ativa nas Américas a partir da década de 1960, já tinha cancelado no início de fevereiro todas as iniciativas públicas de campanha, após manifestações violentas contra a sua candidatura. O partido Força Alternativa Revolucionária Comum (também com a sigla FARC) foi criado em setembro passado na sequência do processo de desarmamento dos cerca de 7.000 guerrilheiros do ex-grupo armado.

A entrega de armas era um dos aspetos do acordo de paz que as FARC assinaram com o governo colombiano, sob a liderança do Presidente Juan Manuel Santos, em novembro de 2016. Na mesma conferência de imprensa, Ivan Marquez disse que as FARC vão manter-se nas eleições legislativas e pediu um diálogo com todos os setores políticos de forma “a construir pontes para alcançar uma grande convergência nacional”.

“O facto de não participarmos diretamente com um candidato para as presidenciais não significa que não tenhamos uma voz face aos outros candidatos”, acrescentou o ex-comandante, indicando que nenhuma aproximação foi iniciada com outra campanha.

Rodrigo Londoño ou Timochenko estava no último lugar das intenções de votos dos colombianos, segundo as sondagens relativas à primeira volta das presidenciais, prevista para 27 de maio. A segunda volta será realizada a 17 de junho e irá designar o sucessor de Juan Manuel Santos (Nobel da Paz 2016), chefe de Estado desde 2010 e impedido de concorrer após dois mandatos consecutivos.

Londoño enfrentou nos últimos anos vários problemas de saúde, incluindo um outro enfarte durante as negociações de paz realizadas em Cuba entre 2012 e 2016, e um ligeiro acidente vascular cerebral (AVC) em julho passado. O conflito armado com as FARC, que durou mais de cinco décadas, fez oficialmente 260.000 mortos, quase sete milhões de deslocados e cerca de 45.000 desaparecidos.