No passado sábado, um incêndio na Trump Tower, em plena Manhattan, fez uma vítima mortal. A notícia ganhou destaque pelo facto de o fogo ter ocorrido no arranha-céus da Quinta Avenida que pertence ao Presidente dos Estados Unidos — e pelo facto de o apartamento não ter aspersores, como passou a ser exigido por lei no estado de Nova Iorque em todas as novas construções desde 1999. A Trump Tower é um edifício de 1983 e Donald Trump achou à altura que não valia a pena instalá-los porque encareceria os apartamentos.

A decisão pode ter custado a vida a Todd Brassner, que ocupava o apartamento onde deflagrou o incêndio e que acabaria por morrer no hospital. Mas quem é afinal a vítima deste incêndio? Brassner, colecionador de arte como o pai (Jules Brassner), conheceu o artista Andy Warhol através de Jules, de quem ficou amigo. Tão amigo que, conta a BBC, Warhol menciona Todd nos seus diários várias vezes e pintou o seu retrato, em 1975. “Eles eram como dois adolescentes de 14 anos, a explorar o mundo”, contou ao New York Times Stuart Pivar, outro colecionador de arte, que revelou que Todd era um profundo conhecedor do mundo da pop art.

Todd Brassner tinha 67 anos e vivia sozinho no apartamento, rodeado de uma coleção de guitarras elétricas antigas, amplificadores vintage e obras de artistas como Robert Indiana ou Jack Kerouac — segundo o Times, o recheio do apartamento da Trump Tower estaria avaliado em cerca de 3 milhões de dólares (2,5 milhões de euros).

Para além do mundo da arte, Brassner era definido como um bon vivant. “Tinha uma vida muito social”, resumiu Jodi Stuart, primeira namorada de Brassner, ao New York Times. “Social no sentido de ter carros desportivos, rock’n’roll, a tocar Hendrix na guitarra, [num estilo] maior do que a vida.”

A situação recente do colecionador de arte, contudo, era algo complicada. Nos últimos anos, conta a Associated Press, teve vários problemas de saúde. O Times diz que Brassner tinha inclusivamente um problema com drogas. E em 2015 entrou em insolvência pessoal.

Por essa razão, andava a tentar vender o apartamento na Trump Tower, a que se somava o desconforto pela segurança reforçada desde que Donald Trump assumiu a presidência. “Ele dizia ‘isto está a ficar impossível, é como viver num campo armado'”, contou o amigo Stephen Dwire. “Mas quando ele dizia às pessoas que era um edifício Trump, já não conseguia vender.”

Como se não bastasse, Todd Brassner não gostava de Trump como Presidente e o facto de viver atualmente na Trump Tower deixava-o incomodado. “Ele odiava viver na Trump Tower, resumiu uma amiga, Rachel Cain, ao New York Daily News. “Achava que Trump tinha sido a pior coisa que aconteceu ao nosso país.”