O poeta Luís de Camões é o protagonista, na quarta-feira, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, da sessão no Museu da Música, em Lisboa, no âmbito do ciclo “Poesia no Museu”. O poeta, autor da epopeia “Os Lusíadas” e de vasta obra lírica, vai ser apresentado pelo diretor de Curso de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, João R. Figueiredo.

Doutorado em Literatura, em 2000, pela Universidade de Lisboa, João R. Figueiredo fala sobre o épico que viveu no século XVI, numa altura em que “está a preparar uma edição comentada d”Os Lusíadas’, e a escrever um ensaio longo sobre Guido Reni, um expoente da pintura barroca italiana”.

O ciclo “Poesia no Museu” foi inaugurado no final de janeiro passado pelo maestro e poeta Jorge Vaz de Carvalho, que falou sobre Jorge de Sena, autor, entre outros, de “Sobre Esta Praia” (1977). Além de Jorge de Sena (1919-1978), ao longo deste ano serão abordadas obras poéticas de Fernando Pessoa, Harryette Mullen e do poeta latino Juvenal (autor de “Sátiras”, que viveu entre os séculos I e II), entre outros, por conferencistas como Miguel Tamen, José Carlos Araújo ou António Feijó.

“Cada sessão consiste numa conferência, com aproximadamente uma hora de duração, sobre um tema ou um autor, não excessivamente académica, e com espaço para a leitura de poemas”, disse à agência Lusa Helena Miranda, do Museu da Música.

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Luís Vaz de Camões, filho de Filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, terá nascido em 1524 ou no ano seguinte, não se sabe exatamente onde, e terá morrido a 10 de junho de 1580, em Lisboa. Conhece-se, com propriedade, pouco da sua biografia, havendo, porém, a certeza de que foi atribulada.

Estudou em Coimbra, foi soldado, e combateu em Ceuta, no norte de África, onde perdeu o olho direito. Esteve na Índia, terá passado por Macau e regressou a Lisboa, onde frequentou a corte. A escrita do poema épico “Os Lusíadas” (1572) valeu-lhe uma magra tença do rei D. Sebastião.

A sua fama começa durante o período da vigência da coroa espanhola em Portugal, de 1580 a 1640, durante o qual a sua epopeia, pelo ideal nacionalista, alimentou as reuniões conspirativas contra a tutela, e evidenciou a sua reputação como grande poeta.

Além d'”Os Lusíadas”, Camões escreveu teatro, nomeadamente, “El-Rei Seleuco”, e poesia lírica em diferentes géneros, como sonetos — de que foi um dos primeiros entusiastas desta forma poética introduzida em Portugal por Sá de Miranda — canções, éclogas, redondilhas.

É apontado como o grande poeta do Renascimento, em Portugal, pela ligação assumida à tradição clássica e à defesa da filosofia de que o conhecimento é adquirido através da experiência, que outro contemporâneo, Duarte Pacheco Pereira, teorizou.

“Se pouco sabemos de Camões, biograficamente falando, tudo sabemos da sua persona poética, já que não muitos poetas em qualquer tempo transformaram a sua própria experiência e pensamento numa tal reveladora obra de arte, como a poesia de Camões é”, afirmou o poeta Jorge de Sena, que abriu este ciclo.