[Atualizado às 16h19 do dia 21/04/2018 devido ao aumento do número de vítimas]

O número continua a aumentar: são já pelo menos dez as vítimas mortais resultantes dos protestos da população em Nicarágua contra a reforma do sistema de segurança social planeada pelo Governo do país, liderado por Daniel Ortega. O número foi avançado já este sábado pela vice-presidente Rosario Murillo. A BBC acrescenta que “pelo menos 100 pessoas ficaram feridas”.

Pelo menos dois dos mortos seriam jovens universitários, de acordo com imagens divulgadas pelos meios de comunicação social e nas redes sociais. Também um polícia, um manifestante e um apoiante do Governo são outras das vítimas mortais já conhecidas, na sequência da violência que se regista no país há três dias.

A reforma do sistema de segurança social do país, proposta pelo Governo de Daniel Ortega, teria como efeitos práticos o aumento do contributo de empregados e empregadores para o fundo de maneio do sistema e a redução do valor da pensão a que os trabalhadores teriam direito depois da reforma.

“O Estado da Nicarágua deve cumprir suas obrigações internacionais para garantir que as pessoas possam exercer livremente os seus direitos à liberdade de expressão” e de se manifestarem, afirmou já um porta-voz do gabinete dos direitos humanos da ONU, em comunicado.

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O Governo da Nicarágua ordenou na quinta-feira o corte da emissão de cinco canais independentes de televisão que divulgaram nos últimos dias imagens dos protestos contra a reforma da segurança social. As manifestações tiveram início na quarta-feira, na capital do país, Manágua, e em León, alargando-se a outras zonas do país. Nos protestos, a população atirou pedras e deflagrou incêndios e a polícia respondeu com gás lacrimógeneo.

A vice-presidente e primeira dama do país, Rosario Murillos, comparou os protestantes a “vampiros que exigem sangue para alimentar a sua agenda política”. O governo anunciou, esta sexta-feira à noite, ter dado início às negociações com os protestantes. No mesmo dia, o exército foi convocado para proteger os edifícios do governo.