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Emmanuel Macron inicia esta segunda-feira uma visita oficial de três dias aos Estados Unidos, onde tem como objetivo fortalecer o compromisso de Donald Trump quanto à intervenção na Síria e ao acordo nuclear com o Irão. Mas o presidente francês arrancou a operação de charme ainda antes de chegar a Washington, durante uma entrevista à Fox News. Atualmente visto como o principal elo entre a Europa e os Estados Unidos, Macron pareceu apontar um dos motivos para a estreita relação.

“Nós os dois [Macron e Trump] somos provavelmente dissidentes dos sistemas nos dois lados. Acho que a eleição do Presidente Trump foi inesperada no vosso país e provavelmente a minha eleição foi inesperada no meu país. E não fazemos parte do sistema político clássico”, explicou o presidente francês.

Emmanuel Macron abordou o conflito na Síria e as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, em que afirmava querer “levar as tropas para casa”. O presidente francês reiterou a opinião de que a comunidade internacional não deve deixar o futuro da Síria nas mãos do regime de Bashar al-Assad e deixou transparecer que será essa a mensagem que vai levar à Casa Branca durante estes três dias. “Temos de construir uma nova Síria depois da guerra”, atirou Macron, acrescentando que “o papel dos Estados Unidos é muito importante”.

Quanto ao acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Irão – que Trump promete dissolver desde a campanha -, Emmanuel Macron assume as lacunas do documento mas sublinha a sua importância. O presidente francês disse que não encontra “uma melhor opção” no que diz respeito a questões nucleares e pareceu indicar que Trump não pode “fazer guerra contra toda a gente”, quando questionado sobre as recentes tarifas a importações anunciadas pelo presidente norte-americano.

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Não podes abrir uma guerra comercial com os teus aliados. É demasiado complicado. Se fizeres guerra contra toda a gente, fazes uma guerra comercial contra a China, guerra comercial contra a Europa, guerra na Síria, guerra contra o Irão, vá lá, isso não funciona. Precisas de aliados”, defendeu o presidente francês.

Macron vai jantar com Donald Trump esta segunda-feira em Mount Vernon, a casa de George Washington, antes de uma cerimónia oficial de boas vindas na Casa Branca, na terça-feira, e uma declaração conjunta no Congresso norte-americano na quarta-feira, última dia da visita de Estado. O principal ponto de discórdia entre os dois presidentes deverá ter um nome: Vladimir Putin. Ao contrário de Trump, Macron tem um historial de confrontar o líder russo, tendo chegado a acusá-lo de estar “obcecado por interferências nas democracias”.