António Costa está “tranquilo” com as possíveis ondas de choque da crise política em Itália nos mercados portugueses. O primeiro-ministro considera que o “caminho feito nestes dois anos nas finanças públicas portuguesas” e a “gestão prudente que foi feita na colocação da dívida pública” permite ao Estado português “enfrentar este movimento dos mercados com toda a tranquilidade”.

Em entrevista ao jornal Público, feita a propósito da visita Angela Merkel a Portugal, o líder socialista não deixa, ainda assim, de reconhecer os riscos do impasse político em Itália para a estabilidade da União Europeia e do Euro.

A situação política italiana revela os custos do adiamento da conclusão da União Económica e Monetária e as fragilidades a que a zona euro se expõe”, assumiu António Costa.

A crise política italiana adensou-se depois de Giuseppe Conte, indicado pelos partidos Liga Norte e Movimento 5 Estrelas, ter desistido de formar um novo Governo, perante a firme oposição de Sergio Mattarela, Presidente italiano, à escolha do eurocético Paolo Savona para ministro da Economia.

Mattarela acabou por nomear Carlo Cottarelli para formar Governo. A escolha de um ex-diretor do FMI conhecido pelo petit nom de “senhor tesouras” tinha como grande objetivo acalmar os mercados financeiros e evitar que as ondas de choque fizessem disparar os juros italianos.

O efeito, no entanto, não foi conseguido: assim que os dirigentes da Liga Norte e do Movimento 5 Estrelas se manifestaram contra a escolha de Cottarelli, ditando a morte anunciada do novo governo italiano, as ações afundaram e os juros da dívida dispararam.

Uma crise que terá, naturalmente, reflexos na estabilidade da União Europeia e do Euro. Na entrevista ao Público, António Costa acabou por elogiar o papel de Angela Merkel como factor de unidade no clube dos 28, que passará a ser de 27 com a saída do Reino Unido.

“Encontrei sempre a chanceler mais preocupada com os resultados do que com o caminho para os alcançar. E, em alguns momentos críticos, o seu papel foi importante para dar confiança aos mais cépticos. Uma União a 28 entre países democráticos só sobrevive com o respeito pelos compromissos comuns, no quadro da liberdade de escolha dos eleitores nacionais quanto à melhor forma de os respeitar.”