Crise no GES

Marques Mendes sobre Manuel Pinho: “Tem algo a esconder? Com certeza!”

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O ex-dirigente do PSD lançou duras criticas ao antigo ministro, em particular, mas também criticou o papel dos deputados que o questionaram na audiência da passada terça-feira.

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Luís Marques Mendes aproveitou o seu espaço de comentário semanal no “Jornal da Noite” da SIC para lançar duras críticas à audição de Manuel Pinho na Assembleia da República. Numa intervenção onde abordou outros temas como a guarda conjunta de crianças e o assalto a Tancos, foi a atuação do ex-ministro que mereceu mais destaque, tendo o comentador descrito a sua audição como “um dos momentos mais deprimentes e degradantes” que viu “nestes últimos anos, na Assembleia da República”.

Manuel Pinho é suspeito de ter recebido mais de 500 mil euros da Espírito Santo (ES) Enterprises, a sociedade offshore secreta do Grupo Espírito Santo (GES) que desempenhou um papel de saco azul do grupo liderado por Ricardo Salgado, enquanto foi ministro da Economia do Governo de José Sócrates entre 2005 e 2009 — tal como o Observador noticiou em exclusivo a 19 de abril de 2018. Pinho recebeu sempre a mesma quantia mensal (14.963, 94 euros) através de duas sociedades offshore com sede em paraísos fiscais: a Masete II e a Tartaruga Foudation.

Pinho começou a receber esse valor em 2002, quando era administrador executivo do Banco Espírito Santo e administrador de várias sociedades do GES — cargos que deixou quando entrou para o Governo Sócrates em março de 2005, tendo mesmo cessado o vínculo laboral que tinha com o GES.

Mesmo depois de ter saído do Governo, Manuel Pinho continuou a receber os mesmos 14.963, 94 euros até 2012. Entre 2012 e 2014, e já novamente como administrador de uma sociedade do GES, Pinho recebeu em contas abertas na Suíça em seu nome pessoal (e não através de sociedades offshore) mais 315 mil euros. Contas feitas: Pinho terá recebido um total de 2,1 milhões de euros do GES através da ES Enterprises.

Este era o ponto central da audição parlamentar que pretendia quebrar um silêncio que durava há 89 dias — e que parece continuar, até porque segundo Marques Mendes, Pinho só aceitou falar na AR depois de ter feito um acordo com os deputados que os proibía de tocarem nesse assunto, em troca da presença do ex-político na comissão de inquérito.

Este compromisso entre Pinho e os deputados, aliás, é um dos elementos que Mendes considera como sendo “mau”. Mas há mais. O ex-líder do PSD diz que ambos os lados estiveram mal, mas Pinho esteve muito pior: “Ele [Manuel Pinho] teve uma atuação inqualificável, tanto na forma como no contexto”, atirou.

No que diz respeito à forma “arrogante, sobranceira e incorreta” como falou, Mendes diz que foi mais uma prova de que Pinho tem “falta de cultura democrática”, algo que já se pôde ver noutras situações, já que esta “não é a primeira vez que o ex-ministro teve “comportamentos censuráveis na Assembleia da República [AR]”.

No que diz respeito ao conteúdo daquilo que Manuel Pinho disse na passada terça-feira, 17 de julho, Marques Mendes disse que ao recusar-se a falar do essencial, mostrou que não percebe que um “ex-ministro tem responsabilidades maiores que qualquer outro cidadão. A responsabilidade fundamental de informar, esclarecer e clarificar. Se não assumir isso está a comprometer-se a si próprio e à classe política. Ele tem o dever de falar!”. No seguimento desta declaração, a jornalista Clara de Sousa questionou se Pinho teria algo a esconder e Marques Mendes foi contundente: “Com certeza! O seu silêncio confirma tudo. […] Quem cala, consente.”

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