As mulheres da política francesa têm liderado a onda de reações, apoio e revolta face ao caso de Marie Laguerre, a jovem de 22 anos que foi assediada e depois agredida por um homem nas ruas de Paris, em França. A francesa partilhou as imagens das câmaras de vigilância no Twitter, onde é possível ver que mandou o homem em questão calar-se depois deste a tentar assediar e que este tentou atingi-la com um cinzeiro. Em seguida, dirigiu-se a ela e agrediu-a com um estalo que a fez cair.

Anne Hidalgo, a presidente da Câmara de Paris, foi a primeira a reagir ao caso. No Twitter, Hidalgo revelou “solidariedade total” para com Marie Laguerre, agradeceu a coragem da estudante de arquitetura e ainda acrescentou: “Stop ao assédio!”.

Marlène Schiappa, a ministra da Igualdade francesa, também comentou o episódio nas redes sociais: “Não é aceitável que em França, em 2018, as mulheres sejam agredidas na rua porque recusam ser insultadas enquanto caminham. É um caso fundamental de liberdade”, escreveu a ministra. Schiappa – que até foi mencionada por Laguerre no tweet original que denunciou o caso e foi a principal responsável pela aprovação da lei que prevê multas para os culpados de assédio sexual na rua e nos transportes públicos – condecorou a jovem francesa e destacou a sua coragem.

Outra das políticas a reagir ao caso foi Alexandra Cordebard, mayor do 10.º arrondissement de Paris. “Todo o meu apoio a Marie Laguerre… infelizmente, aquilo por que ela passou é demasiado comum, é revoltante”, defendeu Cordebard. Também Alain Auzet, mayor da região de Réau, no sul da capital francesa, afirmou que “é tempo dos homens, principalmente os que foram eleitos, condenarem com a maior firmeza os comportamentos intoleráveis de alguns”.

Sob a hashtag #BalanceTonPorc, uma espécie de #MeToo francês, milhares de mulheres que vivem em Paris têm partilhado nas redes sociais histórias semelhantes à de Marie Laguerre. Uma delas foi Laura Hulley, funcionária da embaixada do Reino Unido na capital francesa, que contou que foi assediada na rua no passado mês de junho. A cidadã britânica acrescentou ainda que Catherine Bennett, sua amiga e jornalista, “levou um soco quando fez frente ao agressor”.

“Não é a primeira vez nem vai ser a última que isto acontece a uma mulher na rua (a meio do dia, ainda por cima). E os homens ainda me perguntam porque é que digo que tenho medo deles”, escreveu Catherine Bennett.

https://observador.pt/videos/atualidade/marie-queixou-se-de-assedio-e-levou-um-violento-estalo/