8,66 milhões de carros novos conheceram o seu novo dono nos primeiros seis meses de 2018, no que foi um semestre espectacular. Entre Janeiro e Junho, venderam-se mais carros do que em qualquer período equivalente deste século. Mas se o mercado cresceu no total 2,7%, os SUV deram um salto impressionante, que rondou os 24%. E foi à sua custa que a Europa deu provas de um dinamismo notável.

Apesar da confusão no mercado automóvel britânico, que continua a cair desde que o Brexit paira sobre as cabeças dos consumidores locais (este mês, deu mais um trambolhão de 6,3%), as vendas de carros novos em solo europeu vão de vento em popa. Graças, em volume, a grandes mercados como a Alemanha, França e Espanha, onde os clientes continuam sedentos de novidades, embora procurem cada vez mais motores a gasolina ou eléctricos (e híbridos), com os veículos animados por motores diesel a ficarem cada vez mais para trás.

Mas se as vendas desfavoreceram de forma evidente as motorizações a gasóleo, o que os clientes provaram é a sua cada vez maior paixão pelos SUV, com destaque para os SUV pequenos e compactos, ou seja, os produzidos com base nas plataforma B, dos utilitários, como o Clio, e do segmento C, de modelos como o Golf.

Os SUV compactos são tradicionalmente os que mais procura têm, liderados pelo eterno Nissan Qashqai, mas a vantagem que exibem em relação aos SUV pequenos é cada vez menor. Ainda assim, o Qashqai comercializou mais de 134 mil unidades de Janeiro a Junho, o que lhe permitiu bater a concorrência. Contudo, a distância que o separa dos opositores é cada vez menor – e se o adversário mais forte vem da Alemanha, a maior surpresa vem de França. Veja na fotogaleria acima quem vendeu mais e quem mais cresceu, no segmento C, no primeiro semestre do ano.

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Os SUV pequeninos são quem mais cresce

Se os SUV do segmento B começaram timidamente há uns anos atrás, quando só havia o Nissan Juke (em 2010), hoje são uma das principais forças que fazem crescer as vendas. São pequenos e baratos, mas têm um ar robusto e mais alto, que cai no goto dos compradores, sobretudo dos que procuram esta classe de veículos.

O Renault Captur continua a dar cartas, liderando de forma esmagadora e sendo mesmo o terceiro SUV mais vendido, isto se juntarmos os modelos compactos e pequenos, sendo apenas batido pelo Qashqai e Tiguan.

O Juke, que criou o segmento há oito anos, não aparece entre os três mais procurados, provando que a sua substituição só peca por tardia, sendo que a maior surpresa vem do Leste e pela mão da Dacia. No caso, com um SUV que nasceu como opção racional, mas que é cada vez mais alvo de uma decisão emocional, fruto da evolução estética e tecnológica de que o Duster usufruiu.

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O “nosso” VW T-Roc surpreende pela positiva

Se o segmento dos SUV é quem impulsiona as vendas no primeiro semestre de 2018, a popularidade deste tipo de modelos é confirmada quando nos debruçamos sobre os veículos que mais cresceram em quota de mercado. Entre os cinco primeiros modelos no ranking na primeira metade de 2018, o T-Roc, construído em Portugal pela VW, é o líder, sendo curioso que os restantes quatro veículos sejam igualmente SUV e todos do segmento mais pequeno.

Mas se os veículos que mais crescem são todos SUV e liderados pelo T-Roc, os que mais caem são da Opel, numa estratégia da PSA para se livrar dos modelos e motores que, sendo originários dos tempos da General Motors, têm mais dificuldades em cumprir as normas anti-poluição e (sobretudo) obrigam ao pagamento de royalties aos americanos. Dos quatro modelos que mais perdem em penetração de mercado, o Astra é o mais fustigado, seguido pelo Skoda Yeti e Opel Mokka. A seguir surgem o Corsa e o Meriva, modelos que a Opel já está em vias de substituir – o Corsa, agora já com plataforma e motores PSA –, ou acabar definitivamente, neste caso o Meriva, com os monovolumes a confirmarem a perda do factor cool que tanto beneficia os SUV.