Já é famosa a associação do Guia Michelin com um imaginário de luxo, talheres de prata, chefs de renome e preços exorbitantes. Durante décadas, a entrada na famosa listagem era quase indissociável do cenário perpetuado pelos grandes e clássicos restaurantes franceses onde uma refeição de vários pratos podia custar largas centenas de euros. Por muito que hoje ainda persistam os preços avultados (a média dos Michelin em Portugal, por exemplo, ronda os 90 euros por pessoa, sem bebidas) — se bem que muitas vezes é justificado. Outras vezes não são tidos em conta os custos dos produtos utilizados e o valor da mão-de-obra — a verdade é que quando o Guia decidiu “abrir-se” para a Ásia, de repente começaram a surgir pequenos espaços, alguns botecos, até, onde a simplicidade, valor da matéria-prima e técnica permitem a prática de preços bem mais em conta para as carteiras do mundo.

O exemplo mais famoso deste tipo de sítios é o Liao Fan Hong Kong Soya Sauce Chicken Rice & Noodle, uma pequena banca de comida de rua que em julho de 2016 ganhou uma estrela Michelin, muito por culpa do seu “prato estrela”, um simples arroz com frango que custa cerca de 2 euros. Este fenómeno rapidamente correu o mundo ganhando o título, que mantém, de refeição mais barata com estrela. Em Banguecoque, por exemplo, também existe um exemplo parecido, o espaço da cozinheira Jay Fai que já há vários anos era tido como um “jóia” da comida de rua e que, em 2017, entrou no guia. Contudo, como a própria já afirmou em entrevista à Eater, estes prémios nem sempre são tão bons como parecem. “Quem me dera poder devolver a estrela. Muitas pessoas vêm só para ver e tirar fotografias, não comem”, explicou a chef de 73 anos.

De modo geral, tanto a banca de comida de rua na Ásia como o mega-restaurante nos Campos Elíseos tiram vantagens e desvantagens do facto de aparecerem destacados no famoso Guia Vermelho. Para o consumidor, contudo, a existência de restaurantes estrelados onde se pode comer por menos de 20 euros são ótimas notícias. Foi com esta ideia em mente que um um site de viagens do sudoeste asiático decidiu compilar o top 50 das refeições Michelin mais baratas do mundo. Em jeito de compilação, aqui ficam os dez primeiros lugares desse ranking.

1. Liao Fan Hong Kong Soya Sauce Chicken Rice & Noodle, Singapura (2,48 euros) 

A famosa banca onde Chan Hon Meng e dois ajudantes servem cerca de 150 a 180 refeições por dia. A quantidade varia consoante a disponibilidade de matéria-prima que o cozinheiro tem à disposição.

2. Tim Ho Wan, Hong Kong (4,29 euros)

É unanimemente considerado o melhor restaurante de Hong Kong no que a Dim Sum diz respeito. Aqui só se servem esta espécie de bolinhos com vários recheios — de carne de porco a vegetais —  e há filas de varias horas para os provar, é só preciso tirar uma senha e esperar pela sua vez.

3. Hamo, Seoul, Coreia do Sul (8 euros)

É inspirado no dialeto da província de Gyeongsang que este restaurante ganhou o seu nome. “Claro!” é a tradução direta de “Hamo” e neste restaurante provam-se especialidades coreanas como o Bibimbap (tigela de arroz com vários toppings) ou o Japchae (massa com vegetais feita num wok).

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@ 하모 (Hamo) 1 ⭐️. Yook-jeon, is a traditional dish that is best known to be a regional dish in South Jeolla province (전라남도). But it is not limited to the region alone and has also been found in traditional Jinju cuisine. Yook-jeon is simply thinly sliced beef battered lightly with flour and egg and pan fried. While this dish is incredibly simple in description, the dish is deceptively difficult to execute properly and requires ridiculous precision. There are very few places in Seoul that does this dish right. What differentiates this restaurant with others is that it focuses on the natural flavors of the ingredients rather than to rely on the sauces to do the job. There are very few restaurants that goes such a long way to introduce the regional cuisine in such a traditional way, which has been vastly forgotten in this country that has prospered due to a rapid economic growth. But, given the recent efforts in the culinary industry in Korea, I have no doubt that such efforts will continue to widespread and reintroduce what has been forgotten for many years. – – – #hamoseoul #seoul #seoulfood #korea #koreancuisine #michelinseoul #traditionalcuisine #tastingmenu #extraffat #food #foodporn #foodie #foodblogger #foodstagram #foodlover #foodpic #하모 #진주음식 #서울 #미쉐린서울 #먹스타그램 #맛스타그램 #먹방 #맛집 #육전 #한식 #전통음식

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4. Chugokusai S.Sawada, Osaka, Japão (10,94 euros)

Fica numa das maiores cidades nipónicas, mas a comida que aqui se serve é de inspiração chinesa — cantonesa, mais especificamente. Pratos com o melhor marisco de Nagasaki, por exemplo, casam muitas vezes com um série de vegetais chineses.

5. Jay Fai, Banguecoque, Tailândia (13,54 euros)

Esta avó de 72 anos deu o seu nome ao restaurante que ainda hoje gere. Surpreendeu muita gente quando disse que queria deixar de ter a estrela, alegando, entre outras coisa, que havia muita gente e isso incomodava a vizinhança.

6. Ginza Ibuki, Tóquio, Japão (14,33 euros)

Os menus de almoço são o grande chamariz deste restaurante tradicional japonês que se especializa em atum Bonito braseado e fumado. Se não tiver bolsos particularmente fundos, esqueça o jantar.

7. Three Coins, Taipé, Taiwan (14,67 euros)

A prova de que as aparências iludem. Olhando apenas para o exterior deste restaurante pode duvidar que se trata de um “estrelado”, mas assim que entra, a elegante sala de refeições dissipa qualquer dúvida. A especialidade da casa é a comida cantonesa com influências ocidentais e um dos pratos mais pedidos é o gratinado de marisco com papaia.

8. Lao Zheng Xing, Xangai, China (16,47 euros)

O Lao Zheng Xing fez parte dos primeiros 26 restaurantes da China continental a serem distinguidos pelo guia francês. Mora num prédio de seis andares, tem mais de 400 lugares e também faz parte da lista de sítios distinguidos pela marca de pneus que, se tivessem uma palavra a dizer, recusariam o louvor.

9. L’Antic Moli, Tarragona, Espanha (18,73 euros)

Aperitivo, dois pratos principais, sobremesa e bebida: o menu base deste antigo moinho reconvertido é a melhor — e mais em conta — opção para quem quer toda a qualidade de uma refeição Michelin a um preço mais simpático.

10. Al’s Place, São Francisco, EUA (20,30 euros)

Aaron London é o nome do chef responsável pela comida deste descontraído restaurante em São Francisco. A cozinha que aqui é praticada está totalmente ligada aos produtos autóctones do estado da Califórnia.