A taxa de cesarianas nos hospitais públicos aumentou em 2017, depois de anos em queda, escreve o jornal Público. O aumento dos partos cirúrgicos é ligeiro, mas revela uma inversão de tendência — a taxa foi diminuindo gradualmente desde 2010, numa altura em que era superior a 32% nos hospitais públicos, com o número da duplicar nas unidades privadas. Entre 2010 e 2017, a redução foi de quase 5% no Serviço Nacional de Saúde. No ano passado assistiu-se a um acréscimo de 0,32%.

A subida das cesarianas no SNS acontece numa altura que existem penalizações para os hospitais que ultrapassem limites previamente estabelecidos. Em dezembro de 2017 era notícia que o número de cesarianas nas maternidades portuguesas era superior ao recomendado para este tipo de intervenções cirúrgicas, com 1/4 dos hospitais públicos a terem taxas de cesariana acima do limite de 30% fixado pelo Governo. À data, o Diário de Notícias citava dados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde referentes aos três primeiros trimestres do ano: a percentagem média dos partos feitos com recurso à intervenção cirúrgica nas 36 unidade do país rondava os 25%.

Cesariana. 25% dos hospitais acima do limite recomendado

Segundo as normas do SNS para 2018, os hospitais que ultrapassem os 29,5% ou 31,5% de cesarianas (os limites variam consoante o grau de diferenciação) não vão receber do Estado o pagamento pelos respetivos episódios de internamento, escrevia o Observador no ano passado.

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Especialistas consultados pelo jornal Público atribuem o ligeiro aumento de cesarianas a vários fatores, incluindo o protesto dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, que aconteceu entre 3 e 17 de julho e entre finais de agosto e o início de outubro de 2017. A isso acrescenta-se, na opinião de Diogo Ayres Campos, ex-presidente da Comissão Nacional para a Redução de Cesarianas, a redução do número de médicos nas urgências de obstetrícia.