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A pimenta do VAR num jogo que não teve sal (a crónica do V. Setúbal-FC Porto)

O FC Porto queria vencer e conseguiu. Sérgio Conceição queria convencer e falhou. Hildeberto é um caso sério e a ambiguidade do VAR é um sério caso para análise. A crónica do V. Setúbal-FC Porto.

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Aboubakar desbloqueou um jogo que estava complicado para o FC Porto

LUSA

Aboubakar desbloqueou um jogo que estava complicado para o FC Porto

LUSA

Sérgio Conceição está pouco habituado a não ganhar. Pelo menos desde que assumiu a cadeira de sonho no banco técnico do F. C. Porto. Nos 51 jogos oficiais da temporada passada, os azuis brancos venceram 37, empataram oito e perderam apenas seis. O que faz com que o momento que o FC Porto vivia à entrada para o jogo deste sábado no Bonfim fosse algo atípico: o campeão nacional empatou as duas últimas partidas (Schalke 04 para a Liga dos Campeões e Desp. Chaves para a Taça da Liga) e, antes de vencer o Moreirense em casa, tinha perdido no Dragão com o V. Guimarães.

Era necessário, portanto, regressar às vitórias. E o V. Setúbal parecia o alvo perfeito, já que a última vez que os sadinos venceram o FC Porto no Bonfim já foi em 1983. O onze, esse, era exatamente o mesmo que empatou com o Schalke 04 a meio da semana: Danilo de volta ao meio-campo e Éder Militão a fazer dupla com Felipe no eixo da defesa; lá à frente, Marega e Aboubakar apoiados de perto por Brahimi e Otávio. Lito Vidigal respondia com a estreia de Valdu Tê com a camisola principal do V. Setúbal – o avançado de 21 anos leva quatro golos em quatro jogos na Liga Revelação.

Os primeiros instantes da partida pouco trouxeram. Sérgio Conceição não se chegou a sentar e percebeu que era preciso assentar o jogo e estabelecer os pressupostos táticos desenhados para o jogo; do outro lado, Vidigal parecia satisfeito com um jogo algo partido que podia trazer aberturas inesperadas para o V. Setúbal. E a verdade é que – para lá de um lançamento longo de Otávio que morreu numa terrível receção de Marega – os sadinos foram mesmo os primeiros a criar algo parecido com perigo. No seguimento de um pontapé de canto, Mano aproveitou uma bola perdida à entrada da área de Casillas para puxar o pé direito atrás e fazer o primeiro remate do jogo. A bola, contudo, passou longe do alvo.

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Ficha de jogo
V. Setúbal-FC Porto, 0-2

5.ª jornada da Primeira Liga
Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto)
V. Setúbal: Joel Pereira; Mano, Dankler, Vasco Fernandes e André Sousa (Alex, 65’); Artur Jorge (Zequinha, 80’), José Semedo, Éber Bessa, Berto, Mendy e Valdo (Cádiz, 65’)
Suplentes não utilizados: Cristiano, Nuno Valente, Costinha, Rúben Micael
Treinador: Lito Vidigal
FC Porto: Casillas; Maxi, Felipe, Militão e Alex Telles; Otávio (Sérgio Oliveira, 59’), Danilo, Herrera e Brahimi (Jesus Corona, 79’); Marega e Aboubakar
Suplentes não utilizados: Vaná, Chidozie, Óliver, Hernâni e André Pereira
Treinador: Sérgio Conceição
Golos: Aboubakar (17’) e Sérgio Oliveira (78’)
Ação disciplinar: Cartão amarelo a Hildeberto (23’) e Alex Telles (63’)

A tentativa de Mano pareceu acordar os azuis e brancos que responderam por Brahimi logo na jogada seguinte; Joel Pereira encaixou um remate forte do argelino com tranquilidade. O golo apareceu pouco depois, numa jogada que em pouco reflete as habituais movimentações do FC Porto: Maxi Pereira recupera uma bola ainda no meio-campo defensivo portista e solta para Marega, que estava mais encostado à linha. É o maliano quem estica o jogo até à linha final e leva o lateral consigo, cruzando depois rasteiro e atrasado para dentro da área sadina, onde quem surge é precisamente Maxi Pereira. O lateral uruguaio roda sobre si mesmo, mas é desarmado por Dankler. A bola sobra para Aboubakar, que remata enrolado e com pouca força, mas colocado o suficiente para bater Joel Pereira.

No entanto, o momento que vai dar que falar durante a semana aconteceu só ao minuto 21 e do outro lado do campo. Marega tentou uma jogada individual e perdeu a bola já dentro da área do V. Setúbal, que se lançou rapidamente para o contra-ataque através de Hildeberto. O avançado sadino seguia isolado para a baliza de Casillas quando caiu, aparentemente tocado por trás por Felipe. Pediu-se falta e cartão vermelho para o central brasileiro; Manuel Oliveira mandou seguir, não consultou o VAR e mostrou o cartão amarelo a Hildeberto por protestos. Cerca de 20 minutos depois, um lance quase igual voltou a fazer levantar os adeptos do V. Setúbal. Hildeberto caiu novamente à entrada da área portista mas, desta vez, a falta seria de Éder Militão. O árbitro voltou a mandar seguir e assinalou fora de jogo ao avançado.

A segunda parte trouxe um V. Setúbal com vontade de lutar pelo resultado e um FC Porto macio capaz de levar Sérgio Conceição ao limite. Danilo Pereira e Héctor Herrera continuavam a jogar muito isolados e eram os únicos pilares que tentavam fazer ligações defesa-ataque. Lá à frente, Marega falhou muitos passes e Brahimi raramente conseguiu implementar a magia que já tantas vezes vimos a desbloquear situações. Tudo se complicou ainda mais quando, logo aos 48 minutos, Valdu Tê respondeu a um lançamento de linha lateral de Hildeberto – o principal impulsionador e o melhor elemento dos sadinos no jogo deste sábado – e rematou sem hipótese para Casillas, fazendo o empate e relançando um jogo em que o FC Porto não tinha mão. Sérgio Conceição já olhava para o banco à procura de soluções quando Manuel Oliveira correu em direção às câmaras do VAR e anulou o golo por mão na bola de Valdu.

O V. Setúbal, sempre empurrado pela exibição de gala de Hildeberto, foi melhor equipa e melhor conjunto na segunda parte, mas não chegou. Faltou aos rapazes de Lito Vidigal a eficácia que o recém-entrado Sérgio Oliveira mostrou ao fazer o segundo para o FC Porto. Joel Pereira não ficou bem na fotografia e Sérgio Conceição via os azuis e brancos respirar de alívio sem terem feito muito por isso.

O FC Porto venceu, assumiu a liderança provisória do campeonato e regressou às vitórias depois de dois empates que fizeram mossa na equipa. Sérgio Conceição terá de arranjar soluções para a falta de ideias que parece proliferar nos campeões nacionais: prova disso é que aos 59 minutos, a ganhar, o FC Porto não rematava desde o minuto 20. Danilo voltou, mas não é o Danilo que conhecemos. Brahimi está apagado, Otávio é o motor, mas não encontra respostas adequadas em Aboubakar e Marega. Nem tudo brilha no Dragão.

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