“Quero prestigiar o Senado”. Foi esta a justificação que Pedro Sánchez deu, numa conferência de imprensa, para fundamentar a sua recusa em debater no Senado as suspeitas de plágio que envolvem a sua tese de doutoramento. O primeiro-ministro espanhol considera o tema da tese defendida em 2012 na Universidade Camilo José Cela, em Madrid, como uma questão “de âmbito pessoal e académico” — e não referente à sua gestão política enquanto chefe do Governo. Por essa razão, não tem de ser debatido na Câmara Alta, enfatiza.

Segundo o El Mundo, o primeiro-ministro espanhol deu a entender que comparecer na audiência convocada pelo Partido Popular (PP), que detém a maioria dos assentos no Senado, seria o mesmo que deixar que os populares instrumentalizassem aquela câmara. Esta estratégia, diz Sánchez, é o reflexo “do mau estar da oposição, que optou pela desqualificação e o ataque pessoal”.

O primeiro-ministro disse ainda que “a radicalização da oposição está a alimentar a extrema-direita”, pedindo aos partidos da oposição que “façam oposição, mas em questões de Estado”.

Quero dar prestígio ao Senado e proporcionar-lhe um debate necessário sobre política territorial, razão pela qual proponho o debate sobre autonomia, que é infinitamente mais importante. Se há algo que prova que este debate é o estado pobre da oposição, que optou pelo ataque pessoal, por não apoiar o governo como fez o PSOE em matéria de Estado, exijo a mesma lealdade com que o PSOE agiu. A oposição opta por desqualificação e ataque pessoal “, disse Pedro Sánchez.

Pedro Sánchez, recorde-se, tinha dito em setembro que iria comparecer no Senado para explicar o “erro numa passagem” de um livro que escreveu e que “vai ser corrigido”. “Se o PP quer que compareça, então eu compareço”, referiu Sánchez na altura. O Governo e o PSOE propuseram, então, que o primeiro-ministro fizesse uma aparição política geral, para abordar o assunto da tese e a imigração, mas não uma sessão inteira dedicada ao documento. Nesta audiência, cada grupo poderia argumentar ou perguntar o que quisesse. O PP, no entanto, opôs-se a esta proposta e o executivo optou por fechar a porta a esta audiência.

O porta-voz do PSOE no Senado, Ander Gil, disse também que Sánchez “não vai contribuir para o pântano em que o PP quer converter o Senado”, acrescentando que “não vem arrastado, nem pelas orelhas”, justificando que o Regulamento da Câmara não estabelece nem exige esta comparência. E garantiu: “Este Governo não rasteja”.

Suspeitas de plágio em tese académica ensombram governo de Sanchéz