Cirurgia Plástica

“Isto é o início de um outro capítulo”. A primeira entrevista de Katie Stubblefield depois do transplante facial

Em maio, Katie tornou-se a primeira pessoa a fazer um transplante facial nos EUA. Cinco meses depois, conta, em entrevista à BBC, o que a levou a tentar matar-se e revela os planos para o futuro.

Katie Stubblefield antes da tentativa de suicídio e depois do transplante (Foto: National Geographic)

Foi a primeira vez que Katie Stubblefield falou depois da cirurgia que correu mundo, no verão passado. A jovem norte-americana de 21 anos tinha 18 quando uma discussão com o namorado a fez apontar uma arma ao queixo e puxar o gatilho. Não morreu, mas a bala levou-lhe o rosto. Quatro anos depois, em maio de 2018, tornou-se a pessoa mais jovem a receber um transplante facial nos Estados Unidos e, em entrevista à BBC, revelou o que sentiu naquele dia 25 de março de 2014 e também que planos tem para o futuro.

Lembro-me completamente do que fiz. Pensei: ‘Como fiz isto a mim própria? Mas, mais importante, como fiz isto à minha família?'”, recordou Katie, acompanhada pelos pais. “Tinha muitas coisas a acontecer na minha vida, relacionamentos e problemas. Permiti que essas coisas tirassem o melhor de mim“, diz ainda sobre o momento em que se tentou suicidar, em 2014.

“Sinceramente, não tinha pensamentos suicidas. O que me aconteceu foi meramente um impulso“, acrescenta a jovem. Naquele dia 25 de março, depois da discussão com o namorado, Katie saiu da escola mais cedo e refugiou-se na casa do irmão Robert. De lá ligou à sua mãe. “Quando cheguei, ela estava sentada numa cadeira grande e fofa com as pernas por cima dela. Ela estava a escrever uma mensagem, fui até perto dela e perguntei-lhe como estava. Ela encolheu os ombros, como os adolescentes fazem, às vezes. Não vi aquilo como um alarme, apenas senti que a minha menina tinha sido magoada“, recorda a mãe de Katie na mesma entrevista.

“Lembro-me de ter ouvido um barulho alto. Depois olhei para a cadeira e ela não estava lá. Fui até à cozinha e ao pátio nas traseiras e nada. Vi a porta da casa de banho fechada, rodei a maçaneta e perguntei: ‘Katie, estás bem?’ Ela não respondeu. O meu filho segurou-me, levou-me até ao quintal e disse: ‘Mãe, a Katie pegou na minha arma e não sei… ela está ferida’“, relembra ainda a mãe.

Katie voltou a ter um rosto depois de 31 horas passadas no bloco operatório. Diz sentir-se grata por ter tido esta “segunda oportunidade”, mas revela as dúvidas que teve antes de avançar para a cirurgia. “Era uma oportunidade de ter a minha vida de volta e a minha cara, até certo ponto. De início, foi uma decisão difícil porque sabia que alguém tinha de morrer para eu ter aquele rosto”, diz.

Mesmo assim, aceitou receber o rosto de Adrea Schneider, uma mulher de 31 anos que morreu de overdose de drogas. “Isto é como o início de um outro capítulo. Muitas pessoas perguntaram-me se estava nervosa e eu respondia que ia dormir uma sesta de 31 horas e que ia ser a melhor sesta da minha vida. Realmente foi a melhor sesta que alguma vez dormi”, conta Katie.

Também a mãe da jovem falou sobre o primeiro impacto depois da cirurgia. “Estava à procura de traços antigos, se conseguia ver alguma coisa do pré-acidente. Penso que não vi. Foi muito surreal, lembro-me de pensar: ‘Onde está a Katie?’“, recorda. “Ao mesmo tempo estava tão agradecida por ela estar viva e por não ter que viver até ao fim da vida sem um rosto”.

O novo rosto deu a Katie uma oportunidade para sonhar com o futuro. “Quero ir para a faculdade e ter a minha carreira. E gostava de conhecer alguém, casar e ter a minha família”, remata.

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