O laboratório que comercializa o medicamento Nolotil nega que tenha havido uma restrição à venda do fármaco em Espanha depois de ter sido associado à morte de dez britânicos. “A Agência Espanhola não impôs nenhuma restrição relativa à utilização ou à comercialização do Nolotil, na sequência da avaliação dos casos descritos. Houve sim, um reforço de que todos os medicamentos contendo metamizol apenas devem ser utilizados mediante prescrição médica e que devem ser tomados de acordo com as instruções de utilização aprovadas”, refere o laboratório em comunicado.

No mesmo texto, a farmacêutica esclarece que ainda que “a agranulocitose, situação médica descrita nas notícias, é uma reação adversa há muito conhecida para o metamizol e que ocorre com uma frequência muito rara, o que significa que pode afetar até 1 em cada 10.000 pessoas“.

A Boehringer Ingelheim sublinha ainda que “o Nolotil é um medicamento que se encontra no mercado há várias décadas com longa experiência clínica e amplamente conhecido pelos especialistas, e que as condições aprovadas para a sua utilização não foram alteradas na sequência dos casos descritos. Foram sim, reforçadas”.

No comunicado, pode ler-se ainda que o laboratório “lamenta as mortes ocorridas e continuará a monitorizar e avaliar, em colaboração com as autoridades de saúde, quaisquer questões de segurança potencialmente associadas aos seus medicamentos”.

O esclarecimento surge na sequência da notícia avançada pelo jornal El Espanhol, segundo a qual o analgésico, um dos mais consumidos em Espanha, tinha sido proibido a turistas, na sequência da atualização da ficha técnica do metamizol (comercialmente conhecido como Nolotil, também à venda em Portugal) pela Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS). A medida terá acontecido depois da morte de 10 britânicos.

Já em agosto, o The Sunday Times tinha revelado que a AEMPS lançou uma investigação para determinar se pessoas oriundas do norte da Europa estão ou não mais expostas aos efeitos colaterais do Nolotil. Cristina Garcia del Campo, uma tradutora médica da província de Alicante, fez campanha para promover a realização de uma investigação depois de descobrir que várias pessoas de origem britânica tinham morrido com alterações no sangue depois de terem tomado este medicamento.