Saúde

Há bombeiros e privados a recusarem serviços de ambulância por falta de pagamento do Estado

206

As dívidas dos hospitais às empresas de transporte de doentes e o preço baixo definido pelo SNS fazem cada vez mais entidades recusarem transportar doentes em situações não urgentes, noticia o JN.

O principal problema é "os hospitais deverem muito dinheiro aos bombeiros", diz o presidente da Liga Portuguesa dos Bombeiros, Jaime Marta Soares

MARIO CRUZ/LUSA

São cada vez mais as corporações de bombeiros e empresas privadas de transporte de doentes que se recusam a levar doentes não urgentes para hospitais públicos, em ambulância, avança o Jornal de Notícias na sua edição impressa desta quarta-feira. O fenómeno, que acontece com doentes com credencial dos hospitais (isto é, inseridos no Serviço Nacional de Saúde), incide mais na região norte do país, particularmente no Porto, em Viseu e em Viana do Castelo. Porém, está “a generalizar-se” por todo o país, avisou o presidente da Liga Portuguesa de Bombeiros, Jaime Marta Soares, em declarações ao JN.

O Serviço Nacional de Saúde estabelece para o transporte de doentes não urgentes com credencial um custo de 7,5 euros quando o trajeto é inferior a 20 quilómetros. Quando a distância é maior, o preço tabelado é de 51 cêntimos por quilómetro.

Para as empresas privadas e corporações de bombeiros que transportam doentes, os preços definidos “não compensam” as viagens — admitem os prestadores destes serviços e até o administrador do hospital de S. João, do Porto, Renato Matos. No entanto, haverá outro fator que tem originado as recusas no transporte: as elevadas dívidas que os hospitais públicos têm com as empresas e corporações de bombeiros que prestam estes serviços.

As queixas vêm de diferentes prestadores. Paulo Tavares, da empresa privada de transporte de doentes Salvavidas, afirmou ao JN que o hospital de S. João, do Porto, tem uma dívida à empresa que remonta a 2016 (o hospital nega), nenhuma de 2017 mas conta já com várias faturas por pagar este ano. Jaime Marta Soares, da Liga Portuguesa de Bombeiros, reconhece que os preços tabelados para transporte não são atrativos, mas garante que o principal problema é “os hospitais deverem muito dinheiro aos bombeiros”.

O Presidente da Liga Portuguesa de Ambulâncias, Martinho Cruel, refere que o Hospital de Viana do Castelo “atrasa-se sistematicamente nos pagamentos” e que há hospitais de outras zonas do país, como Coimbra, que “não pagam desde janeiro”. A informação, negada ao mesmo jornal pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, torna “insustentável” para as empresas a continuação do transporte de doentes com credencial do SNS em situações não urgentes, refere o presidente da Liga de ambulâncias.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Saúde

Anatomia de uma greve

Luís Lopes Pereira

Não podemos manter greves – principalmente na prestação de cuidados de saúde – com um caráter tão indefinido no tempo como as que presenciamos, pois doutra forma teremos a morte anunciada do SNS.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)