Pedro Delgado Alves, um dos deputados do Partido Socialista que votou a favor da abolição das touradas, vai apresentar uma projeto de lei para que as touradas passem a ser feitas com velcro e sem sangue, noticiou o Expresso. Manuel Alegre, que já se manifestou contra a abolição das touradas, considerou que esta proposta pode ser explorada em Portugal.

A ideia de Pedro Delgado Alves segue aquilo que já se faz nos Estados Unidos, Canadá e Grécia, por exemplo. É colocada uma capa de velcro sobre o dorso do touro onde são coladas as bandarilhas. O touro não é espetado e não há sangue. Desvantagens: o touro que não sangra, não enfraquece, e investe com mais força nos forcados durante a pega. O touro bravo que não é picado também perde reação, o que pode dificultar a arte do toureio a pé ou a cavalo.

Para André Silva, deputado do PAN que viu a sua proposta de abolição das touradas chumbada no Parlamento, trata-se ainda de uma forma de exploração do animal, mas é uma solução melhor do que a que existe atualmente. Rui Salvador, cavaleiro profissional, por sua vez considera que não é uma verdadeira corrida de touros, “é uma simulação”.

Seja como for, o destino do touro será sempre o mesmo: depois de ter estado na arena será abatido. “Nenhum touro pode ser lidado duas vezes”, disse Marcelo Cardoso, dono de uma coudelaria onde cria cavalos lusitanos.

Municípios não querem responsabilidades sobre touradas

A proposta de descida da taxa de IVA das touradas de 13% para 6% tem gerado muita discussão e opiniões divergentes dentro do PS. O primeiro-ministro António Costa tem inclusivamente sugerido que a decisão de autorizar ou não a realização de espetáculos que envolvam a utilização de touros passe para as autarquias. A proposta foi rejeitada pela Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e não vai constar do pacote de descentralização aprovado para os próximos anos, noticiou o Público.

Numa carta aberta publicada no Público, António Costa disse que preferiria “conceder a cada município a liberdade de permitir ou não a realização de touradas no seu território à sua pura e simples proibição legal”. A proposta já tinha sido apresentada anteriormente à ANMP, que tinha recusado formalmente essa possibilidade.

A ANMP entende que a tauromaquia está sob a alçada da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e que deve ser encarada e gerida em termos nacionais e não municipais.