A notícia de que as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em 2022 se irão realizar em Portugal está a gerar mal-estar na Igreja Católica e na Presidência da República. A novidade foi tornada pública no sábado pela agência Lusa, citando o site Religionline, e causou um indisfarçável descontentamento, já que supostamente a confirmação oficial deveria ser dada pelo Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude no Panamá, avança o Jornal de Notícias.

Jornadas Mundiais da Juventude podem trazer Papa a Portugal em 2022

Este era um segredo conhecido por muitos, mas que a Igreja queria guardar, uma vez que primeiro deveria ser revelado pelo próprio Papa e depois confirmado por D. Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa, de forma a reabilitar a sua imagem “dentro e fora da hierarquia”. Para Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, falando apenas em seu nome, afirma que “quem dá a notícia é responsável por ela” e acrescenta que “só o Papa pode anunciar uma decisão” deste género. Dada a fuga de informação, Manuel Barbosa não descarta a hipótese de o evento já não se vir a realizar. Até ao momento não há confirmação oficial.

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Segundo o JN, há elementos da Igreja que suspeitam de que a fuga tenha vindo da Presidência. “É, no mínimo, duvidoso em termos protocolares”, refere um bispo citado pelo JN e que prefere o anonimato. Fonte oficial de Belém já negou e acrescenta que Marcelo Rebelo de Sousa ficou “estupefacto” com o anúncio antecipado. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português e o Patriarcado não quiseram prestar declarações sobre o assunto.

A possibilidade de as jornadas se realizarem em Portugual surgiu com um convite de D. Manuel Clemente ao Vaticano no ano passado, A Suécia e a República Checa são apontados como fortes candidatos, a par com Portugal.

O evento é um dos maiores da Igreja Católica e reúne cerca de um milhão de jovens de todo o mundo. No próximo ano, as JMJ terão lugar no Panamá e vão contar com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.