A analista da Moody’s que segue Moçambique considerou hoje que a reestruturação dos títulos de dívida e o que acontece com a dívida comercial, para além da relação com o FMI, serão as grandes questões de 2019.

“A curto prazo, há a questão da reestruturação dos títulos de dívida, ver se a reestruturação é completada ou não segundo os termos apresentados, e depois disso, saber o que acontece com o resto da dívida; Moçambique tem um nível de dívida bastante elevado, e depois há a questão do Fundo Monetário Internacional, e tudo isso serão as grandes questões para 2019”, disse Lucie Villa.

Em declarações à Lusa, a responsável da agência de ‘rating’ Moody’s pelo acompanhamento da economia moçambicana considerou que além destas questões, com impacto direto na opinião sobre o crédito soberano, a agência de notação financeira também estará atenta “à capacidade de produção de gás natural, que deverá começar a exportar em 2023, e isso também será relevante”.

Estas questões, vincou, “serão determinantes e estão relacionadas”, porque “um programa do FMI só existirá se a dívida for sustentável, e normalmente uma reestruturação é feita para garantir a sustentabilidade da dívida, e estes são os três principais elementos para os quais estaremos a olhar do ponto de vista do crédito”.

Em termos da possível retoma da ajuda financeira do FMI, Lucie Villa disse que o importante é olhar para as condições que o Fundo colocou para reiniciar o financiamento: “Primeiro, a macroestabilidade, e penso que olhando para isso, foi moderadamente restaurada, depois auditar a dívida das empresas públicas, e a última era restaurar a sustentabilidade da dívida, e é esta condição que ainda está pendente, ou seja, é incerta qual será a avaliação do FMI”, concluiu a responsável.