PSD

Luís Montenegro depois de audiência com Marcelo: “Lamento que o dr. Rui Rio não tenha tido a coragem de marcar eleições diretas”

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Depois de ter sido recebido em Belém pelo Presidente da República, Luís Montenegro criticou Rui Rio por não ter tido coragem de marcar eleições diretas. Mas diz que "ainda há tempo" para as convocar.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A conversa com Marcelo Rebelo de Sousa durou pouco mais de meia hora. À saída, Luís Montenegro falou aos jornalistas e atirou a contar contra o líder do PSD. “Lamento que o dr. Rui Rio não tenha tido a coragem de marcar eleições diretas no PSD“, afirmou o ex-líder parlamentar dos sociais-democratas.

Sobre a conversa com o Presidente da República, Montenegro não quis alongar-se em grandes explicações. Fez saber apenas que a intenção de ser recebido por Marcelo Rebelo de Sousa – “uma referência do país e, até mesmo, do PSD” – foi a de enquadrar o desafio que deixou a Rui Rio na sexta-feira passada. “E mais não direi”, assegurou.

Confrontado com a decisão do líder do PSD de convocar um Conselho Nacional extraordinário para votar uma moção de confiança, o ex-deputado foi claro no seu repúdio pela decisão. Lamentando que Rio tenha mostrado “medo” e “falta de coragem”, Montenegro voltou a defender a marcação de eleições diretas no partido. “Entendo que uma verdadeira clarificação da posição política do PSD e da forma como o PSD se deve colocar para enfrentar os próximos atos eleitorais só tem efeito pleno com a pronúncia de todos os militantes”, acrescentou.

A leitura que faz do momento que o partido atravessa é negativa. E, à semelhança daquilo que disse na sexta-feira, quando pediu ao líder dos sociais-democratas que convocasse eleições diretas e em que se mostrou disponível para concorrer à presidência do PSD, Montenegro justificou o timing deste anúncio. “Primeiro, passou um ano desde que o dr. Rui Rio foi eleito e desde que apresentou a sua estratégia. Essa estratégia foi executada e teve um resultado, que, na minha opinião e na opinião de muitos militantes, foi um mau resultado“, explicou. “E em segundo lugar, porque fazer uma clarificação permitiria ainda fazê-lo com tempo de inverter a situação, podendo apresentar-nos aos eleitores com uma posição reforçada”.

O desafiador de Rio garantiu ainda que não pretende, por agora, apresentar uma moção de censura ao líder. “O propósito da minha comunicação de sexta-feira, e o meu único objetivo, era o de marcar eleições diretas no PSD e dar a palavra aos militante. Acho que ainda vamos a tempo de o fazer”, disse.

Desde sexta-feira que o ex-líder da bancada laranja tem sido acusado de estar mais preocupado com as listas de deputados que vão ser sufragadas nas legislativas de outubro do que com o futuro do PSD. Uma acusação que refuta, utilizando o seu próprio exemplo. “Acho um absurdo que se possa fazer crer que o nível de responsabilidade que está associado a um passo como aquele que eu dei pudesse ter na sua génese qualquer preocupação com listas. Aliás, a começar por mim, que saí do Parlamento por minha iniciativa. Não estou preocupado com o meu lugar nem com o lugar dos deputados que lá estão hoje a exercer funções”, afiançou, insinuando de seguida que essa também é uma preocupação de “muitos apoiantes” de Rui Rio.

Repetiu inúmeras vezes a ideia de que não pretende reunir assinaturas para convocar um Conselho Nacional extraordinário para votar uma moção de censura. “Não é a minha praia”, ironizou. “Disse que estava disponível para disputar eleições diretas e ainda estou. O país e o PSD sabem que há, no partido, quem pense de forma diferente”, concluiu, reforçando o pedido para que “qualquer órgão do partido” convoque eleições diretas.

Curiosamente, à mesma hora que Luís Montenegro começou a falar aos jornalistas, a direção do PSD enviou um comunicado às redações em que anunciava a data do Conselho Nacional extraordinário convocado por Rui Rio para votar a moção de confiança. Irá realizar-se num hotel do Porto, na próxima quinta-feira, dia 17, às 17h00.

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