Marcelo pediu um pacto para a justiça “há ano e meio”. O CDS respondeu com “propostas” no Parlamento, mas queixa-se de que foi o único partido que o fez. O PSD, no âmbito do seu Conselho Estratégico, desenhou um plano para a justiça, mas que não chegou ao Parlamento (nem aos próprios deputados do PSD). E isso, o CDS nem referiu. Por isso é que, esta segunda-feira, no âmbito das primeiras jornadas parlamentares do ano, onde a segurança interna vai ser um dos assuntos mais discutidos, o CDS insistiu no apelo: “Venham a jogo, mostrem o que têm”.

“Não deixaremos cair uma matéria que foi há ano e meio suscitada pelo Presidente da República, e que mereceu silêncio generalizado dos partidos: a Justiça”, começou por dizer o líder parlamentar, Nuno Magalhães, no discurso oficial de abertura dos trabalhos, lembrando que os centristas apresentaram propostas, mas que os restantes partidos lhes pediram para esperar. O CDS esperou, e nada, as propostas ficaram na gaveta, na comissão parlamentar. “Passaram-se mais de nove meses sem que os partidos apresentassem as suas propostas”, disse, lançando o desafio: “Que se agende o debate sobre a Justiça e que cada um venha a jogo, sendo eficaz e consequente, para que o CDS possa ver votadas as suas medidas de uma vez”.

Isto depois de Nuno Magalhães, que já foi secretário de Estado da Administração Interna, ter criticado a resposta do Governo aos distúrbios da última semana no bairro da Jamaica, no Seixal, e ter garantido que o CDS não tem medo de “falar claro e falar duro” em matérias de segurança, para lutar contra aquilo que diz ser uma “cultura de transgressão onde a impunidade é regra”.

Outra matéria onde o líder parlamentar centrista prometeu ser implacável foi o caso da Caixa Geral de Depósitos, e os novos dados conhecidos com a última auditoria tornada pública. Nuno Magalhães garantiu que o CDS iria “recorrer a todo e qualquer instrumento regimental” para fiscalizar os “abusos manifestados” cometidos na Caixa Geral de Depósitos, não rejeitando por isso a hipótese de uma nova comissão parlamentar de inquérito como foi referido esta segunda-feira pelo líder do PSD, Rui Rio.

CDS ataca “embirração” e “fanatismo ideológico” do Governo

As jornadas parlamentares do CDS, apesar de só terem sido oficialmente abertas com o discurso do líder parlamentar, já tinham começado pela manhã, com uma visita dos deputados e da líder do partido a uma empresa têxtil de Guimarães e, depois, ao Hospital de Braga — uma Parceria Público-Privada cuja gestão nestes moldes tem os dias contados. Foi aí que, em registo de pré-campanha eleitoral, os centristas atacaram o Governo de António Costa, por estar a reverter aquela PPP “apenas e só por puro fanatismo ideológico e por estar refém da extrema esquerda”.

“Há dois anos consecutivos que o Hospital de Braga é o melhor hospital do país em oito áreas clínicas, e este governo quer dar a este hospital aquilo que se tem visto que dá ao resto dos hospitais do SNS: serviços que funcionam mal, não por culpa dos médicos e profissionais de saúde, mas por falta de material e de meios”, disse o eurodeputado Nuno Melo na abertura do painel de discussão da tarde. Já antes, no próprio hospital, Assunção Cristas tinha defendido que este tipo de gestão público-privada tinha “poupado muito dinheiro ao Estado, na medida em que este hospital já se pagou a si próprio duas vezes”, mas que, mesmo assim, o Governo quer acabar com a parceria.

“Porque é que se vai mudar algo que está a funcionar tão bem?”, questionaria Assunção Cristas, para responder logo de seguida: “Por embirração ideológica”. “Está provado que o modelo funciona, a solução é boa para os doentes, os profissionais de saúde e o Estado, por isso é lamentável e chocante que o Governo faça estas concessões à esquerda mais radical”, disse a líder dos centristas referindo-se à reversão da gestão hospitalar daquele hospital do Estado prevista para o dia 31 de agosto.