Um grupo islamita advertiu esta segunda-feira o Supremo Tribunal do Paquistão que o país poderá “arder” se na terça-feira tomar uma decisão “errada” em relação ao recurso contra a absolvição da cristã Asia Bibi pelo crime de blasfémia.

“Não queremos que o país arda por uma decisão errada”, afirmou num vídeo Shafiq Ameeni, líder interino do partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP), que praticamente paralisou o país durante três dias quando Bibi foi absolvida no final de outubro depois de oito anos na prisão, onde aguardava o cumprimento da pena de morte.

Ameeni rejeitou os três juízes que analisarão o recurso na terça-feira, entre os quais o presidente do Supremo, Asif Saeed Khan Khosa, que classificou de “irresponsáveis”, e pediu a presença de clérigos no tribunal.

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi denunciada em 2009 por duas mulheres por ter alegadamente insultado o profeta Maomé. Em 2010 foi condenada à morte e quatro anos depois perdeu um recurso apresentado a um tribunal superior de Lahore (leste).

Em finais de outubro, o Supremo Tribunal do Paquistão ilibou a cristã, o que provocou protestos de islamitas organizados pelo TLP. Este partido chegou depois a acordo com o governo do primeiro-ministro Imran Khan para que Asia Bibi fosse proibida de sair do país enquanto não houvesse uma decisão do Supremo sobre o recurso contra a sua absolvição. Asia Bibi foi libertada a 7 de novembro e levada para um local “seguro”, segundo o governo.

Em finais de novembro, o governo paquistanês anunciou a detenção do líder do TLP, Khadim Hussain Rizvi, e de 3.000 dos seus seguidores, na sequência dos protestos.