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“O mel do Leão”, do israelita David Grossman reeditado em Portugal

O livro que é agora publicado pela Elsinore conta a história de Sansão: "A batalha com o leão; as 300 raposas a arder; as mulheres com quem dormiu, e a única que amou", entre outros episódios.

"O mel do leão" já tinha sido publicado originalmente em Portugal pela editora Teorema em 2006

PABLO GIANINAZZI/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A história de Sansão é revisitada pelo escritor israelita David Grossman, em “O mel do leão”, um livro que apresenta o guerreiro bíblico em toda a sua complexidade, projetando-o no mundo de hoje, agora editado pela Elsinore.

“Há poucas outras histórias na Bíblia com tanto drama e ação, tanto fogo-de-artifício narrativo e emoção pura, como os que encontramos no conto de Sansão: a batalha com o leão; as 300 raposas a arder; as mulheres com quem dormiu, e a única que amou; a traição por parte de todas as mulheres da sua vida, desde a sua mãe Dalila; e, no final, o seu suicídio homicida, quando fez desabar a casa sobre si próprio e três mil filisteus”, descreve o autor, sobre o episódio.

Contudo, David Grossman considera que, “para além da fera impulsividade, do caos e do barulho”, é possível “entrever uma história de vida que é, no fundo, a viagem atormentada de uma alma isolada, solitária e turbulenta, que nunca encontrou, em lado algum, um verdadeiro lar no mundo, cujo corpo era ele próprio um duro lugar de exílio”.

Em “O mel do leão” — publicado originalmente em Portugal pela Teorema em 2006 — e que é agora novamente publicado pela Elsinore, David Grossman revisita a luta de Sansão com o Leão, as suas muitas mulheres e a traição de todas elas, apresentando uma “provocatória” visão da história e do seu clímax, a última ação mortal de Sansão quando faz ruir um templo sobre ele próprio e milhares de filisteus.

“Uma provocatória visão do mito, numa prosa lúcida que nos revela a vida de uma alma só e torturada, e que, poderão dizer alguns, foi o precursor dos modernos bombistas suicidas”, descreve a editora, acrescentando tratar-se de uma viagem pela história e psicologia dessa personagem do velho Testamento, que lança um novo olhar sobre o passado, projetando-o no mundo de hoje.

O que David Grossman se propõe mostrar é que, ao contrário do que é difundido por vários livros e filmes, Sansão nunca escolheu ser o vingador do seu povo contra os opressores filisteus, até porque nunca lhe foi dada uma alternativa.

Desde o início, Sansão tinha o destino traçado, e Grossman analisa os seus motivos e intenções em cada um de seus atos, através de uma romantização do mito e de uma análise psicológica daquela personagem bíblica, traçando o retrato de um homem multifacetado e cheio de inquietações, lutando para conquistar uma identidade.

Como descreveu o jornal The Independent, “a aventura deste homem milenar, cuja tragédia, á semelhança de Édipo foi a de não conseguir suportar um destino a ele imposto demasiado grandioso, toca-nos diretamente no nosso próprio âmago”.

Autor de nove romances e de vários livros infantis, David Grossman tem sido galardoado com diversos prémios, entre os quais o Chevalier de l’Ordre des Arts et des Letres e o Man Booker Internacional, com “Um cavalo entra num bar”, editado no ano passado em Portugal pela Dom Quixote.

Nascido em Jerusalém em 1954, começou a sua carreira como jornalista e foi despedido da radio depois de se ter recusado a enterrar a notícia de que a liderança palestiniana havia declarado um estado autónomo e reconhecido a existência de Israel.

Escreve literatura desde os anos 1970 e é autor de outras obras traduzidas em português, como “Ver: amor”, “Até ao Fim da Terra” e “Em Carne Viva”.

Conhecido pela sua postura crítica em relação à política de ocupação israelita de territórios palestinianos e comprometido com o processo de paz, o autor de 65 anos perdeu o seu filho Uri, na segunda guerra do Líbano, em 2006. É, a par de Amos Oz, um dos escritores israelitas mais lidos no mundo.

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