Depois de um grupo de eurodeputados que chegou este domingo à Venezuela ter sido impedido de entrar no país pelas autoridades venezuelanas, o ministro dos Negócios Estrangeiros revelou nesta segunda-feira que já tinham sido notificados de que não seriam autorizados a entrar no país “há vários dias”. No Twitter, Jorge Arreaza acusou ainda a delegação do Parlamento Europeu de ter “fins conspirativos”.

Noutro tweet, o ministro venezuelano escreveu ainda: “O Governo constitucional da República Bolivariana da Venezuela não permitirá que a extrema-direita europeia perturbe a paz e a estabilidade do país com outra das suas grosseiras ações de ingerência.”

A delegação do Parlamento Europeu (PE), que tinha viajado até ao país a convite da Assembleia Nacional para visitar o autoproclamado Presidente interino, foi obrigada a apanhar um voo de regresso a Madrid.

O sucedido foi logo relatado com um vídeo gravado e difundido no Twitter, em que o eurodeputado espanhol Esteban González Pons denunciava que as autoridades venezuelanas tinham confiscado todos os passaportes e expulsado os eurodeputados do país.

Esteban González Pons, porta-voz do Partido Popular espanhol, explicou que não lhes foi comunicada a razão da expulsão, e pediu uma “Venezuela livre”.

Também o deputado opositor venezuelano Francisco Sucre denunciou no Twitter o sucedido. “Queremos alertar a opinião pública nacional e internacional que o regime usurpador de Nicolás Maduro acaba de proibir a entrada na Venezuela de uma delegação de eurodeputados (…)”.

Paulo Rangel, vice-presidente do PPE só não viu o seu passaporte ser confiscado porque perdeu o voo em Madrid e assim não conseguiu integrar a comitiva. De qualquer forma o português não perdeu tempo em divulgar no Twitter  a situação “inaceitável”.

O eurodeputado escreveu ainda que “a Venezuela mais do que nunca precisa de mudança”.

Entretanto, Juan Guaidó já reagiu à expulsão dos eurodeputados pelas autoridades venezuelanas. Também no Twitter, o autoproclamado Presidente interino falou numa decisão tomada por um “regime isolado e irracional”.

Na sua conta oficial daquela rede social, Guaidó escreveu ainda: “Exerçamos toda a pressão necessária para pôr fim a esta usurpação. Vamos continuar!”

A visita da delegação do Partido Popular Europeu (PPE) tinha duração prevista até terça-feira. Na agenda, além dos encontros com as comunidades estrangeiras e com Juan Guaidó, estavam também reuniões com todos os grupos parlamentares com representação na Assembleia Nacional da Venezuela.

Portugal condena proibição de entrada de eurodeputados na Venezuela

O Governo português considerou esta segunda-feira que a proibição de entrada na Venezuela de uma delegação de eurodeputados, no domingo, é “absolutamente lamentável e condenável”, pedindo “gestos de abertura” no país em vez de “medidas de hostilidade”.

O que aconteceu com os eurodeputados impedidos de entrar ontem [no domingo] em Caracas é absolutamente lamentável e condenável”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Falando no final de uma reunião com outros homólogos da União Europeia (UE), em Bruxelas, o governante vincou que “a Venezuela precisa hoje de gestos de abertura e não de medidas de hostilidade”. Esta segunda-feira, em Bruxelas, Augusto Santos Silva classificou estas justificações como “termos desajustados e injustos, próprios de quem não preza como deveria instituições democráticas”.

“A iniciativa política de eurodeputados é legítima e não veja em que poderia constituir perigo ou ameaça para a Venezuela”, acrescentou.

O Presidente da República em consonância com Augusto Santos Silva, considerou “lamentável e condenável” o facto de uma delegação do Parlamento Europeu, que tinha sido convidada pela Assembleia Nacional venezuelana (AN) a visitar o país, ter sido impedida de entrar na Venezuela.

“O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros usou as expressões adequadas: ‘lamentável e condenável’. É aquilo que o Presidente da República pensa também”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas, no Porto, à margem da entrega do Prémio BIAL Medicina Clínica 2018.

Líder do PPE pede sanções diplomáticas para a Venezuela

O presidente do grupo político do PPE, Manfred Weber, condenou esta segunda-feira, em Bruxelas, a decisão “ilegítima” do Governo venezuelano de impedir uma delegação de eurodeputados desta família política europeia de entrarem no país e apelou a sanções diplomáticas.

“Nicolás Maduro mostrou novamente que não é um democrata nem o líder legítimo da Venezuela”, disse, em comunicado o líder do grupo do Partido Popular Europeu (PPE, que integra os eurodeputados do PSD e o do CDS), sublinhando que o regime de Caracas “tem medo que observadores estrangeiros vejam o que se passa no terreno”.

O líder do PPE lançou um apelo à chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, e aos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28, que também esta segunda-feira estão reunidos em Bruxelas, para que “suspendam as credenciais diplomáticas a todos os representantes do regime de Maduro junto das instituições da UE e dos Estados-membros e cancelem a participação da UE na reunião do grupo de contacto para a Venezuela, prevista para os próximos dias”.

Uma delegação do grupo do Parlamento Popular Europeu (PPE) que tinha sido convidada pela Assembleia Nacional venezuelana foi impedida de entrar no país no domingo e obrigada a apanhar um voo de regresso a Madrid.

A delegação integrava os eurodeputados Esteban González Pons, José Ignácio Salafranca Sánchéz-Neyra e Juan Salafranca e dela deveria ter feito também parte o português Paulo Rangel, que não chegou a viajar para a capital venezuelana porque perdeu o voo de ligação entre Madrid e Caracas.