Foi em dezembro de 2018 que Michael D. Cohen, ex-advogado de Trump, foi condenado a três anos de prisão por ter participado num escândalo de suborno capaz de colocar em causa toda a legitimidade da atual administração norte-americana. A preparar-se para cumprir pena a partir do próximo mês de maio, Cohen poderá ter facultado informações adicionais sobre a administração Trump aos procuradores, segundo avança o The New York Times.

Michael D. Cohen ter-se-á reunido no mês passado com procuradores federais para fornecer informações sobre possíveis negócios irregulares associados a familiares do Presidente dos Estados Unidos e sobre um doador para o comité inaugural. Em troca, espera ver a sua pena reduzida.

Apesar de não ser, para já, claro se as informações transmitidas pelo advogado são credíveis ou não, os procuradores terão demonstrado interesse em investigar o papel da Administração nos pagamentos feitos em dinheiro. Estes pagamentos terão sido feitos antes das eleições presidenciais norte-americanas de 2016 a mulheres que alegam ter tido casos com Donald Trump. No verão passado, Cohen confessou ter participado nesses subornos.

Durante o encontro, o advogado terá também sido questionado pelos procuradores federais sobre um dador  para o comité inaugural do presidente. Imaad Zuberi, um capitalista de risco da Califórnia, contribuiu com 900,000 dólares (cerca de 793.585 euros) para o comité. Nessa altura, foi convidado por Zuberi para ser consultor financeiro e ter-lhe-á passado um cheque substancial, conta uma das testemunhas ao jornal norte-americano.  Ainda esta sexta-feira, um porta-voz de Zuberi confirmou a existência do cheque, afirmando que se tratava no entanto de 100.000 dólares (aproximadamente 88.176 euros), e que esse valor nunca foi movimentado.

Não é claro que Michael D. Cohen tenha implicado diretamente Donald Trump nas possíveis irregularidades discutidas. Mas caso os procuradores considerem que as informações são, de facto, valiosas, o advogado pode ver a sua pena de três anos reduzida. Um porta-voz da empresa visada, confrontado pelo New York Times, preferiu não comentar o assunto.