Obituário

Fernando Rosas lembra papel marcante do dirigente do MRPP

Fernando Rosas, que juntamente com Arnaldo Matos, Vidaúl Ferreira e João Machado fundaram o MRPP, recorda o líder como "ativista político contra a ditadura" e com um papel fundamental na revolução.

Fernado Rosas conheceu Arnaldo Matos quando ambos eram estudantes da faculdade de Direito de Lisboa

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O historiador Fernando Rosas recordou esta sexta-feira o “papel marcante” de Arnaldo Matos como ativista e dirigente do PCTP/MRPP, no dia da sua morte, aos 79 anos.

Fernando Rosas, que juntamente com Arnaldo Matos, Vidaúl Ferreira e João Machado fundaram em 1970, na clandestinidade, o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), lembrou em declarações à Lusa que conheceu Arnaldo Matos quando ambos eram estudantes da faculdade de Direito de Lisboa.

Nessa altura, Arnaldo Matos transformou-se “num dirigente político, num ativista político contra a ditadura, contra a guerra colonial”, lembrou Fernando Rosas.

O líder histórico do PCTP/MRPP foi “um dirigente estudantil com muita influência no final dos anos 60 [do século passado] princípios dos anos 70 e com ele com outros fundámos o MRPP, um partido muito marcante nos anos decisivos deste país, nos anos da revolução, nos anos imediatamente antes, durante e imediatamente depois da revolução, onde teve um papel marcante”, acrescentou.

Depois desse período, os percursos de ambos separaram-se “e cada um foi para o seu lado”, tendo Fernando Rosas sido mais tarde um dos fundadores do Bloco de Esquerda, em 1999.

Numa nota divulgada esta sexta-feira, o PCTP/MRPP refere: “É com uma profunda tristeza e um enorme vazio que vimos informar que faleceu há poucas horas o nosso querido camarada Arnaldo Matos, fundador do PCTP/MRPP e um incansável combatente marxista que dedicou toda a sua vida ao serviço da classe operária e a lutar pela revolução comunista e por uma sociedade sem classes”.

Arnaldo Matias de Matos nasceu na Madeira, em Santa Cruz, em 24 de fevereiro de 1939. Maoista, ateu e um dos críticos do PCP de Álvaro Cunhal, na defesa de que o “Estado só pode ser derrubado pela força das armas”.

Após o 25 de Abril de 1974, que derrubou o regime ditatorial, Arnaldo Matos e muitos militantes do MRPP continuam na clandestinidade e no ano seguinte é preso pelo COPCON, Comando Operacional do Continente, liderado por Otelo Saraiva de Carvalho.

É dessa altura que fica conhecida a frase, gritada por militantes e apoiantes do seu partido: “Liberdade já para o camarada Arnaldo de Matos”, que já era conhecido como o “grande educador da classe operária”.

Em 1982 abandona o PCTP/MRPP, mas nos últimos anos tornou-se um dos mais ativos militantes, com dezenas e dezenas de escritos na página do órgão oficial do partido, www.lutapopularonline.org, e criou uma conta no Twitter, na qual fez criticas ferozes ao primeiro-ministro, António Costa, e ao acordo de esquerda que permitiu o governo minoritário do PS.

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