O fraco entusiasmo em torno da 91ª cerimónia dos Óscares chegou à passadeira vermelha. No ano em que os prémios mais importantes da indústria cinematográfica não tiveram anfitrião, em que houve uma popstar nomeada para o prémio de Melhor Atriz e em que, ao contrário do ano passado, não pairou qualquer suspeita quanto a um possível boicote da cor no guarda-roupa das convidadas, a red carpet conseguiu a proeza de caber num único adjetivo: morna.

Não há dúvidas de que o cor-de-rosa levou a melhor. Da tonalidade vibrante de Gemma Chan, numa criação de alta-costura da casa Valentino, à suavidade do Versace de Kiki Layne, atriz do filme “Se Esta Rua Falasse”, o rosa foi mesmo a cor da noite. Emilia Clarke foi uma das convidadas a acertar na tendência, além de ter estado entre as primeiras a pisar na passadeira vermelha. O vestido Balmain valeu-lhe múltiplos elogios, embora o regresso ao cabelo escuro também tenha favorecido a figura da atriz britânica. A cantora Kacey Musgraves apostou todas as fichas num visual acabado de sair de um conto de fadas. O vestido do italiano Giambattista Valli pode ter chamado a atenção, mas teve de dividir o protagonismo com o Schiaparelli da atriz Linda Cardellini. É que ambos os modelitos exigiram quilómetros de tule… cor-de-rosa, claro.

Mas houve exceções. De negro, Lady Gaga encheu a red carpet com uma criação de Alexander McQueen. As luvas compridas, a cintura dramática e o diamante de 30 milhões de dólares usado por Audrey Hepburn em 1961, nas imagens de promoção do filme Breakfast at Tiffany’s fizeram deste um dos looks mais marcantes da noite, em Los Angeles. De azul, Charlize Theron foi a beleza etérea de sempre. O vestido, uma criação Christian Dior, deixou-lhe as costas a descoberto e a serpente Bvlgari ao pescoço completou o visual ao estilo de Hollywood, ou seja, com diamantes.

Por falar em brilhos, Glenn Close seguiu a receita de Meryl Streep em 2012 e, ao antever a forte possibilidade de subir ao palco para receber o Óscar de Melhor Atriz Principal, vestiu-se a condizer com a dita estatueta. De dourado e com a cauda mais longa da noite, a atriz de 71 anos confiou a tarefa a Wes Gordon, diretor criativo da Carolina Herrera. Cintilante não não tanto como Jennifer Lopez. Aliás, ninguém bateu Jennifer Lopez no campeonato dos brilhos. Correndo o risco de cegar os restantes convidados, a cantora exibiu um vestido prateado de Tom Ford.

A prata foi outra das tendências da noite. Além da cantora do Bronx, também as atrizes Brie Larson e Molly Sims quiseram dar o seu contributo para fazer da noite de domingo um momento um pouco mais brilhante. Bolas de espelhos à parte, houve espaço também para figuras lamentáveis. Maya Rudolph, uma das responsáveis pelo discurso de abertura da cerimónia, decidiu coser os cortinados ao estofo do sofá e levar para os Óscares uma sala de estar completa dos anos 60. SZA, a cantora que dá voz a um dos temas nomeados na categoria de Melhor Canção Original, apresentou-se como uma espécie de Marie Antoinette louca. Pharrell Williams e a mulher, Helen Lasichanh, não souberam lidar com o dress code e optaram por encarnar dois meninos fugidos do reformatório. Moral da história? Às vezes, é melhor deixar os músicos no sítio deles. Trazê-los para o cinema é uma decisão arriscada.

Na fotogaleria, reunimos os principais looks da noite, da vaga rosa que tomou conta dos Óscares aos músicos mal comportados.