A líder do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, afirmou esta sexta-feira que a abertura de concursos extraordinários para o acesso dos médicos à especialidade pode ajudar a atenuar os problemas com a falta de médicos de família.

O ano passado ficaram 700 médicos sem acesso à especialidade. Nós precisamos de os formar, abrir essas vagas, ter um concurso extraordinário este ano para dar acesso à especialidade, para formarmos os médicos de família de que o país precisa, como as outras especialidades que estão a faltar”, sublinhou a líder bloquista.

Esta necessidade foi defendida esta manhã por Catarina Martins, no final de uma visita ao centro de saúde de Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, onde cerca de 30 mil utentes não têm médico de família.

“Os cuidados primários são fundamentais para que toda a população tenha acesso a médico de família. Foram dados alguns passos e aqui onde estamos colmatou-se metade da necessidade de médicos de saúde em falta. No entanto, 16% dos utentes continuam sem médico de família, cerca de 30 mil pessoas”, apontou.

Para Catarina Martins, o acesso dos médicos à especialidade será também uma forma de manter estes profissionais de saúde no país e evitar a sua saída para o estrangeiro.

“Se nós não damos condições aos médicos em Portugal que formamos é muito natural que eles vão para outros países. Quando deixamos médicos que formamos sem depois poderem concluir a sua formação porque não lhes damos acesso à especialidade como fizemos o ano passado em que 700 ficaram à espera estamos a dar um convite a que essas pessoas vão para outros países”, argumentou.

Nesse sentido, a líder bloquista considerou que a Lei de Bases da Saúde deverá ser “forte” para “proteger” o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”:

“A lei de Bases está a andar e é importante que estes trabalhos aconteçam a um ritmo elevado, para garantirmos em tempo útil uma lei que seja forte e possa proteger o SNS”, concluiu.