Abusos na Igreja

Cardeal condenado por não denunciar abusos sexuais pede demissão

Philippe Barbarin, condenado a seis meses de prisão com pena suspensa por não ter participado oficialmente denúncias de abusos sexuais, vai entregar a demissão ao Papa Francisco "nos próximos dias".

AFP/Getty Images

O cardeal Philippe Barbarin, que esta quinta-feira foi condenado a seis meses de prisão com pena suspensa por não ter dado seguimento a denúncias de abusos sexuais cometidos por um padre da sua diocese, vai apresentar a demissão ao Papa Francisco dentro de dias. Aquele que é considerado uma das figuras mais poderosas da Igreja francesa fez o anúncio na diocese de Lyon, numa curta aparição que durou menos de um minuto e não teve direito a perguntas.

“Decidi ir ver o Santo Padre para entregar a minha demissão, ele recebe-me dentro de uns dias”, disse, citado pelo espanhol El Mundo. Barbarin, o religioso com o cargo mais alto da hierarquia eclesiástica francesa a responder à justiça, foi condenado por não ter participado oficialmente, entre julho de 2014 e junho de 2015, os abusos sexuais a dezenas de menores cometidos por Bernard Preynat, entre 1986 e 1991. Barbarin estava sujeito a uma pena que poderia ir até aos três anos de prisão e uma multa que poderia atingir os 50 mil dólares, cerca de 44 mil euros.

Vincent Neymon, adjunto da Secretaria Geral da Confederação de Bispos de França, confirmou a notícia à CNN, publicação que acrescenta que, se o Papa não aceitar a demissão, esta fica sem efeito. Neymon não especificou, no entanto, se Philippe Barbarin vai demitir-se enquanto arcebispo ou cardeal, mas suspeita que em causa esteja o primeiro cargo.

O padre acusado da prática do crime de abusos sexuais, Bernard Preynat, chegou a ser impedido de lidar com grupos de escuteiros masculinos no início dos anos 1990, mas só em 2015 foi afastado das suas funções na diocese pelo cardeal Philippe Barbarin. Este garante ter aberto uma investigação depois de ter sido informado dos alegados casos de abuso sexual, o que diz ter acontecido em 2014. O advogado das vítimas, Jean Boudot, afirma que Barbarin estava a par das denúncias pelo menos desde 2010. O padre francês que é acusado de ter cometido abusos sexuais a menores entre 1986 e 1991 será julgado até ao final do ano.

Entretanto, os advogados de defesa de Barbarin anunciaram após o veredicto desta quinta-feira que vão recorrer. “Vamos contestar a decisão de todas as formas possíveis. Vemo-nos daqui a uns meses para um recurso”, disse Jean-Felix Luciani aos jornalistas presentes.

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