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Morte de testemunha contra Berlusconi investigada por possível envenenamento

A ex-modelo morreu a 1 de março e era testemunha importante no julgamento de Berlusconi por incitar à prostituição de menores nas festas "bunga-bunga". Disse que suspeitava ter sido envenenada.

A ex-modelo era uma importante testemunha no julgamento pelo caso "Ruby" em 2011, quando Berlusconi foi acusado por incitar à prostituição de menores

OLIVIER MORIN

As autoridades italianas abriram uma investigação sobre a possibilidade de envenenamento de uma antiga modelo marroquina, que era uma testemunha chave no julgamento contra o antigo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pelas festas “bunga bunga”.

Imane Fadil, que morreu no dia 1 de março em circunstâncias que ainda não são conhecidas, terá confessado à família e ao seu advogado, nos últimos momentos da sua vida, que suspeitava ter sido envenenada. A ex-modelo era uma importante testemunha no julgamento pelo caso “Ruby” em 2011, quando Berlusconi foi acusado de incitar à prostituição de menores.

Depois da denúncia do seu irmão, o Ministério Público de Milão ordenou a autópsia ao corpo da mulher e está a investigar a morte de Fadil por homicídio. Citado pelo El Español, o advogado da ex-modelo afirmou que Fadil “não era o tipo de pessoa que se mataria, nunca esteve deprimida”.

Imane Fadil foi hospitalizada a 29 de janeiro depois de sentir dores abdominais, inchaço e desconforto no estômago há vários dias, sendo que o diagnóstico inicial indicava leptospirose, uma doença infeciosa transmitida ao homem pela urina sobretudo de roedores.

Segundo explica o jornal italiano Corriere della Sera, o hospital decidiu enviar amostras de sangue da manequim para um laboratório especializado em toxicologia, depois de o hospital não conseguir encontrar a causa do desconforto da mulher nos exames médicos. Os resultados, que chegaram cinco dias depois da morte de Fadil, revelaram “a presença de uma mistura de substâncias radioativas que normalmente não são encontradas no mercado”, abrindo assim fortes hipóteses de morte por envenenamento.

Imane Fadil tornou-se conhecida quando testemunhou no processo “Ruby”, o escândalo sexual que revelou as festas que Berlusconi organizava com raparigas adolescentes na sua casa de campo em Arcore, nos arredores de Milão. Em 2012, Fadil terá revelado que temia pela sua segurança, depois de dizer às autoridades responsáveis pelo caso que lhe tinham oferecido dinheiro em troca do seu silêncio sobre o que acontecia nas festas organizadas por Berlusconi.

Fadil estaria atualmente a escrever um livro — “Conheci o diabo” — onde descreveria o que viu nas festas, “presenças estranhas e sinistras”. Depois da sua morte, os investigadores leram os rascunhos e excluíram hipóteses de ligação entre a história e a sua morte, afirmando que “não há nada de relevante nessas páginas”.

Entretanto, Berlusconi continua a negar ter conhecido Imane Fadil. O antigo primeiro-ministro italiano tinha sido inicialmente condenado por acusações de que teria pago por relações sexuais com uma menor nas festas, e que teria usado a sua influência para calar as testemunhas, mas acabou por ser absolvido em 2015.

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